Lixo em Ourinhos tem destino final adequado e legal?



Lixo em Ourinhos tem destino final adequado e legal? 












As "empresas públicas/privadas/cooperativas?" KAZO e RECICLA OURINHOS são adequadas e legais para receberem dinheiro público ou concessões?

O caminho do lixo em Ourinhos tem um procedimento até mesmo adequado para um destino final, em aterro sanitário próprio a ser instalado pelo prefeito Lucas Pocay tão logo possível, assim como a separação do material reciclável. 

No entanto, ao lembrarmos da reciclagem propriamente dita de materiais de construção (entulho) imposta pela administração anterior em empresa criada por secretários e pessoas ligadas ao governo, isso cheira mal, tão mal como a reciclagem já existente da "Recicla Ourinhos", cuja "cooperativa" não conta, há décadas, com assembléias regulares de escolha de sua diretoria, fatos que vêm sem qualquer pudor contra os princípios legais dispostos na Constituição e que, como tudo que é contrário aos princípios da Constituição, causa enormes buracos podres na Administração de tais produtos, ou seja, o LIXO, na cidade de Ourinhos em especial, não vendo qualquer indício de regularidade nesse tipo de formação de "empresas públicas" que diga-se, mais particulares, de uso nos próprios interesses daqueles que a administram, que no interesse público, embora muito dinheiro público seja canalizado há anos para que satisfaça as necessidades da Administração Municipal.

Há, dessa forma, rever tais medidas adotadas ou não adotadas na prática do LIXO, tanto de entulhos de construção civil realizado pela KAZO - Solução Ambiental?, como nos materiais recicláveis separados do lixo (RECICLA OURINHOS) com os rejeitos não recicláveis a ser enterrado em Aterro Sanitário próprio" a ser instalado pelo prefeito Lucas Pocay, tanto uma questão de Saúde  como de Seriedade na Prefeitura e autarquia SAE de Ourinhos.

Leia a matéria da UNESP:

Lixo é prioridade?
Artigo de professor da Unesp de Sorocaba
Jornal Cruzeiro do Sul - Sorocaba
15/02/2017














Sim, lixo é prioridade. Assim como são prioritários a educação, o abastecimento de água (o problema enfrentado por Sorocaba há pouco tempo ilustra isso) e a saúde. E tudo isso se mistura, inclusive com o lixo. 

A associação entre lixo e saúde pública é direta é fácil de ser comprovada. O lixo é uma fonte de atração de transmissores de doenças, como moscas e ratos. O que a população quer do lixo é distância, porque não cheira bem e atrai esses bichos. Um acondicionamento mal feito antes da coleta atrai animais de rua, como gatos e cachorros (outro problema sério e prioritário), que acabam expondo o conteúdo dos sacos, causam transtornos e facilitam a disseminação de doenças. Esse é um dos motivos que a cidade de Sorocaba (e outras que experimentaram o sistema) aprovou a coleta em contêineres. Sintonizados com a vontade popular, todos os candidatos a prefeito de Sorocaba (inclusive o vencedor) prometeram a volta dos contêineres. 

Mesmo resíduos que não têm mau cheiro, como o entulho da construção civil, acabam atraindo animais, como escorpiões. O acondicionamento de entulho da construção civil é geralmente feito em caçambas metálicas, que o gerador de resíduos aluga temporariamente. Ou seja, depois de um tempo (geralmente uma semana) o material é levado da frente da obra. 

Pergunte para uma criança: para onde vai o lixo? Talvez ela responda: o lixeiro leva. Realmente, esses trabalhadores passam em frente a nossas casas algumas vezes na semana e retiram o que não queremos mais. Mas você sabe para onde ""o lixeiro leva""? Tanto o lixo doméstico quanto o de construção devem ir para locais apropriados, onde ficam confinados sem causar transtornos à população. São áreas imensas onde nossos restos ficam armazenados, sem serventia nenhuma, exigindo cuidados constantes para garantir que não tragam problemas. Os resíduos da construção civil de Sorocaba são levados para o Aterro de Inertes, na avenida General Motors. Uma pequena parte é separada e encaminhada para a reciclagem e o resto é convenientemente enterrado. 

Os resíduos domésticos de todos os sorocabanos vão para o aterro de uma empresa particular, localizado em Iperó. Só que, como falado antes, resíduos domésticos cheiram mal. Isso acontece principalmente porque os alimentos que descartamos apodrecem e nisso é gerado um líquido mal cheiroso e extremamente poluente. Agora imagine o lixo da cidade inteira indo para o mesmo lugar. A quantidade desse líquido gerado, acrescido de água da chuva, é enorme. Se esse líquido for para o solo, acabará chegando num lençol de água e, dependendo, até num rio e contaminará os dois. Aí entra a associação do lixo com a água. 

Logo, é obrigatório em aterro de resíduos domésticos impermeabilizar a área, para evitar que esse líquido infiltre no solo, e cercar o local com drenos para evitar que a água da chuva de partes superiores acabe entrando. O apodrecimento também causa a geração de gases, um deles o metano, altamente inflamável, de modo que precisam ser retirados, o que exige uma série de tubulações específicas. Toda essa estrutura garante que o confinamento do lixo é seguro, porém é bem mais cara que a estrutura de um aterro de inertes. 

E a associação de lixo com educação? Simples: pessoas educadas não jogam lixo no chão, colocam seus detritos em embalagens seguras e não deixam seus animais soltos para causar transtornos para outras pessoas. Mas, principalmente, colaboram com iniciativas de coleta seletiva (que diminui a quantidade de lixo, por recolocar materiais no mercado) e cobram das autoridades melhorias na coleta, transporte, reciclagem, tratamento e disposição final de resíduos. Afinal, pessoas educadas sabem que, como geradores de resíduos são também geradores de um grande problema. Mas é um problema que tem solução. Porém a solução não é necessariamente única, nem barata e certamente exigirá esforços dos governantes e governados. 


Sandro Donnini Mancini (mancini@sorocaba.unesp.br) é professor da Unesp em Sorocaba (www.sorocaba.unesp.brhttps://www.facebook.com/unespsorocabaoficial/).

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