Moradores relatam clima de terror no Espírito Santo



Moradores relatam clima de terror no Espírito Santo

Advogada mineira, de 63 anos, que mora há 30 em Guarapari, conta que bandidos tomaram conta das ruas desafiando comerciantes, moradores e turistas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO 
Vídeos. Sem policiais nas ruas da Grande Vitória, criminosos aproveitaram para saquear lojas e assaltar
Reprodução/Twitter
Vídeos. Sem policiais nas ruas da Grande Vitória, criminosos aproveitaram para saquear lojas e assaltar
Mineiros que residem no Espírito Santo ou aqueles que viajaram para o litoral capixaba com o objetivo de curtir o verão estão temerosos com a onda de violência que assola o Estado. Assaltos nas ruas, arrastões nas praias, arrombamentos de lojas e trocas de tiros entre criminosos. Esses são apenas alguns dos crimes presenciados constantemente por eles nos últimos dias.
A advogada Otília Piumbini, de 63 anos, mora há 30 anos em Guarapari – um dos principais redutos mineiros durantes as férias escolares e feriados prolongados. Desde a última sexta-feira (3), quando teve início a paralisação da Polícia Militar (PM), ela já presenciou pelo menos três trocas de tiros em plena luz do dia entre criminosos nos arredores de seu bairro, além de testemunhar assaltos de parentes ou conhecidos.
“A situação é tenebrosa. Desde sábado eu e meus filhos não saímos de casa. As escolas, unidades de saúde e o comércio estão todos fechados. Moro perto de uma favela e o tempo todo ouvimos tiros e gritos”, contou. “Meu filho mesmo, no sábado, estava em uma feira de verão, na praia do Morro, e teve que sair correndo por causa de um arrastão”, completou.
Segundo Otília, até a manhã desta segunda (6), muitos mineiros que estão em Guarapari não sabiam da situação caótica no Estado e, por isso, não se amedrontaram com o toque de recolher imposto pelos criminosos.
“Eles não sabiam. Muitos deles saíram para a praia e foram assaltados no caminho ou quando chegaram lá. A situação é caótica mesmo. Não dá para arriscar. Ainda no sábado, a cunhada do meu filho, que veio de Santa Catarina, saiu de casa mesmo com meu aviso. O resultado não foi outro. Teve tudo roubado na praia”, lamentou.
Para o contador carioca Marcos Souza, 32, que mora em Vila Velha há dois anos, nem mesmo nos piores episódios de violência presenciados por ele no Rio de Janeiro, as ruas foram tomadas por tantos crimes.
“Mudei com minha família para o Espírito Santo justamente para fugir da violência. No Rio nós vivemos ressabiados, faz parte do cotidiano do carioca situações assim. Mas hoje aqui em Vila Velha está bem pior. Nunca me senti tão inseguro. O clima está pesado”, lamentou.
Souza conta que além dos vídeos e fotos de crimes que circulam pelas redes sociais, os boatos espalhados principalmente pelo WhatsApp têm angustiado os moradores de sua cidade. “Muitos são verdadeiros. Eu mesmo compartilhei alguns. O problema é quando inventam casos mais exagerados. Hoje mesmo disseram que os bandidos tinham invadido um prédio e quando fui ver o endereço era o da minha cunhada, que tem criança pequena. Fiquei desesperado, mas depois minha esposa descobriu que era mentira”, disse.

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