Há mesmo um surto de pessoas com mal da vaca louca em Niterói (RJ)?



Há mesmo um surto de pessoas com mal da vaca louca em Niterói (RJ)?por MARINA ESTARQUE   11.03.2017
Nesta semana, uma série de áudios e tuítes sobre um suposto surto do mal da vaca louca preocupou os cidadãos fluminenses, sobretudo os moradores de Niterói (RJ). Mas, afinal o que há de verdade nessa história?
“Em Niterói especificamente, (há) 7 casos no mesmo hospital”
Áudio divulgado via WhatsApp
Recortes-Posts_FALSO
A Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), também conhecida como mal da vaca louca, atinge apenas o gado. Quando o homem ingere carne contaminada, pode desenvolver um quadro que é tecnicamente chamado de “nova variante da Doença de Creutzfeldt–Jakob”. A sigla é v-DCJ. A Prefeitura de Niterói informa por nota – e a Fiocruz reafirma – que não há na cidade nenhum paciente com indícios desta doença.
O que há, segundo a administração local, são quatro casos suspeitos de DCJ – uma doença com características bem diferentes daquela associada ao consumo de carne contaminada.
A v-DCJ costuma atingir pessoas jovens e é inicialmente caracterizada por alterações psiquiátricas. A DCJ, por sua vez, tende a acometer a terceira idade, gerando movimentos involuntários e alterações de coordenação e equilíbrio, por exemplo.
Nos últimos dias, Fiocruz decidiu avaliar os quatro casos suspeitos de Niterói e confirmou o diagnóstico de DCJ – e não de v-DCJ – para essas quatro pessoas. O Ministério da Saúde informou, por sua vez, que, no Brasil, “nunca foram confirmados casos da nova variante (v-DCJ)”, ligada à ingestão de carne bovina contaminada. 
“(O mal da vaca louca) Não tem cura. A probabilidade de morte é altíssima”
Áudio divulgado via WhatsApp
verdadeiro
 Tanto a v-DCJ como a DCJ são fatais e não têm cura. Assim como o mal da vaca louca (EBB), que atinge o gado, a v-DCJ e a DCJ são doenças causadas por príons, proteínas encontradas no ser humano (e na vaca) que sofrem transformações e se tornam agentes infecciosos. Segundo o Ministério da Saúde, 85% dos casos de DCJ ocorrem de “maneira esporádica, sem causa definida. Em até 15% dos casos, a doença tem origem genética. No restante, a contaminação ocorre por procedimentos como transplantes ou em decorrência do uso de instrumentos neurocirúrgicos não esterilizados corretamente.
É perigoso consumir carne bovina no momento”
Recortes-Posts_FALSO
De acordo com o Ministério da Saúde, não há no Brasil registro de animais com o mal da vaca louca (EBB). Também não há óbitos por v-DCJ na população brasileira. Para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Brasil é um país de “risco insignificante” para EEB, a melhor classificação existente em seu ranking. Segundo a neurologista do Hospital Sírio-Libanês, Jerusa Smid,  não há indicação para cortar o consumo de carne.
“Os casos de DCJ em Niterói são alarmantes”
Recortes-Posts_FALSO
 A DCJ é uma doença que, no Brasil, atinge entre 1 e 2 pessoas a cada um milhão de habitantes. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2005 e 2014, houve apenas 439 notificações de casos suspeitos de DCJDesse total, só 38 foram confirmados de forma definitiva por exame neuropatológico,15 foram classificados como possível, 54 como provável, 38 foram descartados e o restante, 67% dos casos, não possuiu dados suficientes para diagnóstico ou ainda aguardam resultados. Para a neurologista do Hospital Sírio-Libanês, Jerusa Smid, os quatro casos em Niterói, mesmo confirmados, estão de acordo com a incidência já conhecida da doença. 
*Esta reportagem foi publicada na versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 11 de março de 2017.
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