Jornalista funda movimento contra o assédio no ambiente jornalístico



25/03/2017 
SAIBA MAIS!

Jornalista funda movimento contra o assédio no ambiente jornalístico


Ano passado, o caso da estagiária de jornalismo que foi demitida uma semana depois de sofrer assédio verbal do cantor Biel deixou muitas colegas de trabalho incomodadas. A estagiária denunciou e divulgou o acontecido em seu Facebook e o assunto teve repercussão nacional. 

Janaina Garcia, jornalista formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), fez uma publicação em seu Facebook sobre o caso. "Quando soube, por amigas minhas que trabalhavam no Portal Ig, eu achei isso um absurdo. 'Como a pessoa é a vitima e ela foi punida?'". 

Sua publicação foi compartilhada por muitas pessoas e sensibilizou colegas da profissão. Veio a ideia de filmarem um vídeo sobre o assunto e, a partir disso, fizeram um grupo no Whatsapp para relatar assédios, tanto de fonte como de chefes. Foi assim que o Movimento Jornalistas Contra o Assédio surgiu.

"O movimento nasceu de forma espontânea", conta Janaina, "porque os relatos que começaram a surgir eram muitos e vimos uma necessidade de fazer alguma sobre isso. Quando o vídeo foi ao ar, aquilo aumentou de uma forma imensa". 

O movimento completa um ano em junho e tem uma Fanpage onde publica notícias e informações que possam ser úteis ao público. "Nós, jornalistas, falamos de assédio mas não falamos sobre os assédios que nós mesmas sofremos." A página no Facebook do movimento já recebeu diversas denúncias. 

Segundo Janaina, homens e mulheres têm que lutar juntos contra esse assunto, que parece tabu. "E desde já, tentamos ampliar o diálogo. Tentar falar para as pessoas de maneira mais ampla, porque os homens também sofrem algum tipo de assédio. Porque é uma causa que trata de igualdade e respeito. Independente de gênero." 

Falar sobre assédio no meio jornalístico é uma forma de outros profissionais começarem a ter consciência do que acontece no meio de trabalho deles. E o movimento estimula essa conversa entre as mulheres. "Isso ajuda a desnaturalizar medidas que estavam cristalizadas. Quando você fala que alguma prática não é correta, as pessoas ouvem. Nós somos formadoras (es) de opinião e não só dentro da redação." 

O sindicato dos jornalistas de São Paulo criou um canal em que as mulheres podem fazer denúncias de assédio, mas o projeto não é tão bem divulgado. "Se você ouve um comentário e se silencia, você se constrange, se sente culpada. Precisamos começar a constranger as práticas de assédio. É um trabalho longo, estamos no começo, mostrar para as empresas e para as fontes que não aceitamos questões que eram consideradas naturais", diz Janaina. 

Hoje, a página no Facebook Jornalistas contra o assédio tem mais de 19 mil seguidores, recebe denúncias e compartilha informações sobre o assunto.
Marina Gallo - Redação Bonde

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.