Os advogados do ex-presidente Lula vêm insistindo na tese de que o petista é vítima de perseguição política, e por isso vem sendo investigado na Operação Lava Jato e é alvo de denúncias por parte do Ministério Público Federal.
Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, o procurador do MPF e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ironizou o argumento da defesa do ex-presidente. “O que eu descobri na Lava Jato é que os políticos jamais são corruptos ou criminosos. São sempre perseguidos. Quando as provas são consistentes não basta outro discurso senão o de perseguição”, disse.
O procurador enumerou as acusações feitas contra Lula e argumentou que há consistência jurídica, já que não é apenas na Lava Jato que o petista é implicado por supostas irregularidades.
“Você dizer que esses juízes, embasados em investigação séria, conspiram para prejudicar alguém, isso sim é literalmente uma teoria da conspiração”, completou o procurador do MPF.
Sobre uma data para o julgamento do ex-presidente em primeira instância, Deltan Dallagnol evitou cravar um dia, mas afirmou que o processo já está em fase avançada. “Dentro da normalidade, é possível que aconteça sentença criminal até meados deste ano”.
Caixa dois
Assunto polêmico no Congresso, a anistia ao caixa dois só será barrada, segundo Dallagnol, com a pressão da sociedade. “Eu não posso fazer nada. Não tenho poder econômico e nem político. Congresso é um dos maiores poderes e só perde para a população. É a força da população que vai barrar isso’, disse.
“Anistia ao caixa dois é cortina de fumaça para o crime de corrupção”, alertou o procurador.
Da Jovem Pan