Homem com ossos mais fortes do mundo pode ajudar em estudos sobre osteoporose




Homem com ossos mais fortes do mundo pode ajudar em estudos sobre osteoporose
Por iG São Paulo - | 31/03/2017

Homem com ossos mais fortes que granito pode ajudar cientistas a encontrarem respostas sobre osteoporose
Shutterstock/Divulgação
Homem com ossos mais fortes que granito pode ajudar cientistas a encontrarem respostas sobre osteoporose

Apesar de não haver pesquisas suficientes sobre sua doença, o estudo de seus ossos pode ajudar a encontrar respostas para cura de osteoporose

Parece história de superpoder de algum super-herói novo, mas não é. Um homem, que é identificado como Tim, tem uma condição rara que faz seus ossos serem 150% mais densos do que o granito. Apesar de parecer uma característica favorável, a vida dele pode estar correndo sério risco.
Até os dois anos de idade, Tim tinha uma vida comum. Ninguém havia notado a anomalia nos ossos até ele sofrer uma paralisia facial. "Meu pai conta que um dia eu entrei no carro e estava sorrindo, mas só com metade do rosto. Eles pensaram que eu estava brincando", lembra Tim. No entanto, sua paralisia nunca mais desapareceu.
Depois de procurar ajuda médica e de alguns raios-X, os médicos concluíram que Tim tinha uma doença extremamente rara. "Eu tenho esclerosteose, nome que se dá a quem tem excesso de densidade óssea", explica ele. Embora não pareça nada particularmente negativo, a vida de Tim pode estar correndo perigo.
Quando era criança, o crânio dele começou a crescer tão espesso que começou a pressionar o cérebro sobre os nervos cranianos. Essa pressão intracraniana pode causar paralisia facial e, posteriormente, pode levar à morte. Para salvá-lo, os médicos tiveram que cortar seu crânio, remover uma parte do osso, cortá-lo e colocá-lo de volta. Assim, foi criado mais espaço para o cérebro.
Infelizmente, a doença de Tim é tão rara, que, por falta de estudos, os médicos não têm base científica para saber o que é possível fazer para impedir que a densidade dos ossos continue aumentando.

Pesquisas que envolvem osteoporose podem ajudar


No entanto, a doença de Tim tem ajudado alguns cientistas a entenderem melhor sobre um outro problema que parece ser o oposto ao dele: a osteoporose . O doutor Alastair Henry é um biólogo estrutural que faz parte de uma equipe que investiga esse problema. Em pacientes com esclerose "a arquitetura e a estrutura tridimensional dos ossos dele são normais, mas muito mais densa", explicou ele.
A equipe de Henry tenta entender o que faz com que pessoas como Tim desenvolvam ossos tão fortes. Depois de examinar genes que controlam o crescimento ósseo, eles descobriram um erro em um gene particular chamado SOST.
Este gene faz com que uma proteína chamada esclerostina seja produzida, que é responsável por “dizer ao osso quando deve parar de crescer”. No corpo de Tim essa proteína não funciona. "Pacientes com esclerosteose, que têm uma mutação no gene SOST, nunca produzem esclerostina", explica Henry. Sem essa proteína, o corpo de Tim não sabe quando deve parar de fazer os ossos ficarem mais expessos.

A resposta pode estar nas estrelas


Ao conhecer o caso de Tim, a equipe do doutor Henry pensou em uma nova maneira de tratar a osteoporose. "Quando identificamos que a esclerostina é a proteína que controla a densidade óssea, o que queremos fazer é neutralizar seu efeito", disse ele. "Se fizéssemos isso, pararíamos de retardar o processo de construção de mais osso."
A partir daí, sua equipe trabalhou por vários anos no desenvolvimento de um novo tratamento para a osteoporose que envolvia nada mais nada menos, que uma viagem ao espaço.
Isso, porque os astronautas podem perder até 30% da sua densidade óssea durante uma estadia no espaço por um período de seis meses. Além disso, a NASA estava interessada em explorar como parar essa perda, então, em 2010, Atlantis decolou com quatro astronautas a bordo, além de alguns passageiros adicionais: 12 ratos.
Metade recebeu uma versão do novo tratamento e depois de 13 dias, a densidade dos seus ossos tinha aumentado. Enquanto os ossos dos outros seis ratos tinham enfraquecido, assim que o tratamento trabalhou com os roedores. Os ensaios clínicos em humanos estão agora em curso. Tim tem mais respostas sobre sua doença e os milhões de pessoas que sofrem de osteoporose podem ter esperança neste novo tratamento.

Fonte: Saúde - iG 

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