Vídeos da Odebrecht colocam em risco reforma da Previdência



Vídeos da Odebrecht colocam em risco reforma da Previdência

Blog do Kennedy Alencar
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Corrupção atingiu melhores políticos, que também fizeram coisas boas
KENNEDY ALENCAR
 BRASÍLIA
Um dos principais efeitos da divulgação dos vídeos dos delatores da Odebrecht foi confirmar a avaliação de que a tarefa do governo para aprovar a reforma da Previdência ficou bem mais difícil. Em reunião ontem, aliados do presidente Michel Temer disseram a ele que cresceu a resistência do Congresso a aprovar medidas impopulares após um massacre de imagem provocado na classe política pelos vídeos.
Portanto, a questão agora é se realmente o governo conseguirá aprovar a reforma da Previdência. Não se trata mais apenas de fazer concessões, que já se mostram bem amenas na comparação com a proposta original. O desafio é convencer deputados e senadores a votar uma reforma mínima. Ou seja, evitar a paralisia no Congresso, o que seria mortal para a administração Temer.
O governo avalia que precisará do apoio da imprensa e do empresariado para isso, porque a taxa de popularidade do presidente, que já é baixa, tem caído. O governo argumentará que, independentemente do estrago na classe política, a medida é necessária para equilibrar as contas públicas no médio e longo prazo e para criar uma expectativa econômica positiva no curto prazo.
Judiciário preservado?
No festival de vídeos de delatores da Odebrecht divulgados, chama atenção a falta, até agora, de nomes do Judiciário e do Ministério Público que tenham sido corrompidos pela Odebrecht. Em entrevista à Folha, a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon levantou a tese de que se trataria de uma estratégia, porque os investigadores teriam deixado para apurar eventuais crimes de magistrados e promotores num segundo momento.
É estranho. Se for estratégia, fica claro um desejo de atingir primeiro o Executivo e o Legislativo. Se não for estratégia, sinaliza desinteresse em apurar corrupção na Justiça e no Ministério. A extensão da corrupção na Odebrecht sugere que dificilmente tenha havido corrupção apenas de integrantes dos poderes Executivos e Legislativos.
É preciso acompanhar os desdobramentos das decisões do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, e também avaliar mais vídeos para ver se se confirma a exclusão ou não do Judiciário das investigações.
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Corrupção dava lucro 
É errada a avaliação de que o Brasil é a República Federativa da Odebrecht. A empreiteira pode ter sido a mais importante corruptora devido ao seu tamanho, mas é difícil imaginar que outras empresas de grandes setores da economia também não tenham atuado num modelo que expõe uma corrupção sistêmica no país. Ainda há muitas empresas e pessoas que podem delatar e mostrar a extensão dessa teia de corrupção.
É inexata a frase de efeito de Emílio Odebrecht que diz que a corrupção acontece há 30 anos no país. Esse capitalismo de amigos é parte da história do Brasil e da formação das suas elites e empresas desde o período colonial. Acontece, portanto, há muito mais tempo.
Outro ponto interessante: o valor gasto pela Odebrecht comprando corruptos foi crescendo ao longo do tempo porque a empresa viu que a propina era um bom negócio. O faturamento da empresa chegou a crescer a taxas próximas de 20% ao ano sob a presidência de Marcelo Odebrecht.
Ora, corromper se revelou um negócio lucrativo. Não foi apenas algo que os políticos arrancaram por meio de achaque. Essa tese é boa para a Odebrecht. A empresa estava disposta a fazer esse jogo porque para cada real investido na corrupção ela tinha muito mais reais de lucro.

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