A Justiça e a lei



A Justiça e a lei

Por Laryssa BorgesMarcela Mattos - 29 abr 2017

Moro: a Justiça deve agir com firmeza para interromper o ciclo delitivo (Laílson Santos/VEJA)

O STF liberta dois condenados da Lava-Jato por entender que a 
prisão preventiva estava longa demais. É a maior derrota do juiz 
Sergio Moro em três anos


Terça-feira, 25 de abril. A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal 
(STF) dá um perigoso sinal sobre os rumos da Operação Lava-Jato 
e coloca em liberdade dois condenados no escândalo do petrolão: 
o empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e 
avalista de um empréstimo fraudulento usado para canalizar propina 
para o PT, e o ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP) João 
Claudio Genu, apenado em oito anos e oito meses de prisão por 
11 crimes, entre eles corrupção passiva e associação criminosa por 
ter participado do esquema que desviava recursos da Petrobras. 
Ambos haviam sido condenados pelo juiz Sergio Moro, que em 
Curitiba conduz com mão de ferro os processos que tratam do 
propinoduto instalado na Petrobras. Após a ordem para a soltura dos 
dois condenados, o ministro Gilmar Mendes, que preside a Turma, 
verbalizou o recado do Supremo: “Curitiba passou dos limites e 
concedemos os habeas corpus”.

O julgamento daquela terça reacendeu a esperança em políticos e 
empresários condenados e encarcerados em Curitiba e pode 
significar a maior derrota do juiz Sergio Moro desde o início da 
Lava-Jato, há mais de três anos. O ex-diretor Renato Duque, o 
ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e os ex-deputados Eduardo 
Cunha e André Vargas esperam que os argumentos em favor da 
liberdade de Genu e Bumlai possa ser estendido a eles. O ex-ministro José Dirceu, condenado a 32 anos de prisão, é o primeiro da fila. Ele 
deve ter um pedido de habeas corpus julgado nos próximos dias.

A liberdade de condenados no petrolão é apenas o primeiro grande 
revés contra Sergio Moro. Há um golpe muito maior em andamento 
contra a Lava-Jato, no Congresso Nacional: um truque que pode 
livrar os políticos de serem julgados por Moro, mesmo que percam 
o foro privilegiado.

Revista VEJA

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