Kassab usa empresa de sua família para receber propina da J&F, diz delator



Kassab usa empresa de sua família para receber propina da J&F, diz delator


DEFESA DO PATRIMÔNIO Kassab decidiu não arriscar seu capital político (Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo)

O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo)

O ministro das Comunicações já foi sócio da Yape Assessoria e Consultoria
MURILO RAMOS
19/05/2017

O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD/SP), utilizou uma empresa de sua família, a Yape Assessoria e Consultoria, para receber propina da J&F. O empresário Wesley Batista disse ao Ministério Público Federal (MPF) que pagou R$ 350 mil a uma empresa de caminhões de Kassab, que tinha contrato com o frigorífico Bertin, mais tarde incorporado à JBS. Os contratos entre a frota da empresa da família de Kassab e a Bertin continuaram após a incorporação, mas foi acrescida uma “parcela de sobrepreço” mensal no valor referido. Os recursos foram pagos com notas fiscais emitidas pela Yape.
Kassab foi sócio da Yape Assessoria e Consultoria entre 1994 e 2014.
Atualização: por meio de nota, o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou:
"As apurações em andamento são importantes para o país e devem continuar como determina a legislação. Com relação às citações em depoimentos que foram divulgados nesta sexta-feira, cumpre esclarecer que o ministro detém participação societária em empresa prestadora de serviços que opera dentro de estrita legalidade. Com relação às menções a repasses durante o processo eleitoral em 2014, cabe apontar que não houve 'compra de partido' e as doações recebidas foram registradas junto à Justiça Eleitoral. O ministro sempre pautou sua conduta pelo cumprimento à legislação."

Do Blog do Murilo Ramos
BONDE:

O empresário Wesley Batista, um dos sócios do frigorífico JBS, disse que a empresa fez pagamentos de propinas mensais ao ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), entre o fim de 2009 e início deste ano. Os pagamentos somam R$ 20 milhões, uma média de R$ 3 milhões por ano, disse.

As afirmações foram feitas na delação premiada que o empresário firmou com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Wesley disse que o valor pago era um "overprice" (ou seja, um pagamento "por fora") de contratos que Kassab tinha com o frigorífico Bertin, herdados quando a JBS adquiriu a fábrica, no fim de 2009.

Segundo o empresário, eram dois contratos com Kassab, um legal, de aluguel de caminhões e com efetiva execução do trabalho, e o segundo seria um "complemento". "A JBS comprou Bertin no final de 2009 e ficou pagando o contrato de aluguel desses caminhões, mais um adicional de R$ 350 mil (por mês), que era propina, em que pese a JBS nunca teve nenhum negócio específico com Kassab", constou de anexo da delação. Questionado se o assunto foi discutido entre representantes da JBS e Kassab, Wesley afirmou que foram "várias vezes". 

Em nota, o ministro negou todas as acusações. "Cumpre esclarecer que o ministro detém participação societária em empresa prestadora de serviços que opera dentro de estrita legalidade. Não houve qualquer recebimento de recursos pessoais pelo ministro, o que ficará devidamente comprovado", informou nota do ministério.
Agência Estado

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