Seis PMs de Balneário Camboriú são presos por suspeita de tortura



Seis PMs de Balneário Camboriú são presos por suspeita de tortura
Do G1


Segundo o delegado regional de Balneário Camboriú, as prisões foram decretadas para preservar as investigações.

Seis policiais militares de Balneário Camboriú foram presos preventivamente nesta quinta-feira (25) suspeitos de torturar um suspeito de homicídio. Eles estão detidos no próprio batalhão por tempo indeterminado, como informou o RBS Notícias.

As prisões foram feitas após investigação da Delegacia de Investigação Criminal (DIC), que apura uma denúncia de tortura psicológica praticada por policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT).

Segundo o delegado regional de Balneário Camboriú, Davi Queiroz, as prisões foram decretadas para não atrapalhar as investigações e garantir que não haja interferência no depoimento das testemunhas. A Polícia Civil acredita que eles atuavam como milicianos.

Os seis mandados foram cumpridos no batalhão e na casa dos policiais do PPT, nas cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Camboriú e Itajaí. Também houve apreensão de "uma grande quantidade de munições", segundo a Polícia Civil, entre elas de fuzil calibre 5,56, além de anabolizantes, na casa de um dos PMs.

Segundo a Polícia Civil, "toda a dinâmica do crime foi reconstituída com a análise de imagens registradas por câmeras de monitoramento", com confirmação de testemunhas.

O comando do 12º Batalhão informou que a PM vai “apurar o envolvimento dos policiais militares do PPT com a suposta tortura psicológica de um suspeito de homicídio”.

Suspeito foi levado a local ermo
A Polícia Civil começou a investigar os policiais militares durante a investigação de um homicídio, ocorrido no dia 10 de abril no bairro da Barra, em Balneário Camboriú. Um dos suspeitos de ter matado um homem disse ao delegado que os PMs o torturaram para que ele confessasse o crime. Ele conseguiu fugir, confessou o homicídio para a Polícia Civil e falou sobre a tortura.


De acordo com a Polícia Civil, a investigação apurou que os policiais militares, usando um veículo particular de um deles, monitoraram o suspeito. Com o apoio de uma viatura caracterizada, eles teriam sequestrado o homem e o levado a um local ermo no acesso à Praia do Estaleiro.


Nesse local, segundo a Polícia Civil, os policiais utilizaram violência física e psicológica contra o suspeito, para que ele confessasse o crime e informasse onde estava escondida a arma utilizada e a senha de um telefone celular.


Ainda conforme as informações divulgadas pela DIC, "após certo período de atos de tortura, os milicianos foram surpreendidos por um veículo que passava no local, o que fez com que voltassem à atenção para a via pública, e diante da distração destes, a pessoa que estava sofrendo a tortura conseguiu empreender fuga através de uma mata existente naquele local".

Ação contra moradores de terreno
Em seguida, segundo a Polícia Civil, os PMs foram até dois imóveis onde o suspeito guardava armas de fogo e drogas. De acordo com a investigação, pessoas que residem no mesmo terreno, incluindo uma adolescente, também sofreram violência física e psicológica.


Alguns desses moradores foram apresentados na delegacia pelos PMs e apontados como responsáveis pela venda de drogas e posse de armas.


"A ação criminosa e desastrosa dos policiais militares comprometeu sobremaneira a apuração do crime de homicídio, cujo trabalho investigativo já havia angariado provas contundentes quanto à autoria, inclusive sendo representado pelas medidas cautelares, dentre elas a prisão do homicida", afirmou comunicado da Polícia Civil.

Suspeito admitiu homicídio

Segundo a Polícia Civil, o suspeito do homicídio compareceu à sede da DIC e narrou "com detalhes os atos de tortura". Ele confessou o homicídio, afirmou ser dono das armas e drogas e admitiu ser integrande de um grupo criminoso que atua no sistema prisional e nas ruas.


Ainda de acordo com a Polícia Civil, todos os PMs foram interrogados. "Diante do conjunto probatório apresentado, alegaram que de fato levaram a vítima até o local ermo, contudo, em completa dissonância com as demais provas, disseram que a vítima consentiu em ir até aquele local, e passou as informações de forma espontânea, sem que ocorresse prática de violência", informou DIC.


Além da Força Tarefa que envolveu outros setores da Polícia Civil, representantes da Corregedoria Geral da Polícia Militar acompanharam o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, as prisões e os interrogatórios.


"O Comando do 12º Batalhão de Polícia Militar está acompanhando todos os desdobramentos para garantir a legalidade e cumprimento da lei", informou o tenente coronel José Evaldo Hoffmann Junior.

Do G1

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