No capitalismo, o idoso é um peso



No capitalismo, o idoso é um peso
Professor da Unesp é entrevistado
Comércio do Jahu
14/06/2017
Filósofo Clodoaldo Meneguello Cardoso, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos
Na sociedade capitalista, produtivista e excludente em que vivemos, o idoso é um grupo vulnerável, muitas vezes visto como um peso. O mesmo acontece com crianças, mulheres, homossexuais, deficientes e outros grupos – tanto que existem leis e estatutos federais com o objetivo de tentar proteger essas populações. Se a pessoa é negra ou pobre, o quadro é ainda mais grave.

A avaliação é do filósofo Clodoaldo Meneguello Cardoso, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos.

“É preciso combater qualquer exclusão, seja física, moral ou com palavras. Esta é uma luta dos direitos humanos para construir uma sociedade inclusiva”, argumenta o docente.
Clodoaldo cita o senso comum de que o idoso é uma pessoa que já produziu, mas não “acrescenta” mais à sociedade – o que é uma inverdade, pois muitos aposentados proveem o sustento da casa.

“Para o capitalismo, numa visão selvagem, o idoso é um peso. Tanto que o governo atual quer jogar a aposentadoria para a frente, e essa visão de que a pessoa mais velha é descartável é transmitida para as novas gerações”, critica.
Por isso, faz-se necessário que as escolas preguem a convivência saudável das crianças com os idosos, para que os pequenos tenham contato com as dificuldades da terceira idade e criem consciência sobre a necessidade de respeitar.

A sociedade é plural, e a noção de que todos precisam de alguém, seja na infância ou na velhice, é educacional. Quando esses valores são negligenciados, o idoso se isola e a sociedade ajuda a escondê-lo, esquecendo-o em clínicas e asilos.
“Nos países desenvolvidos, vemos mais idosos e deficientes nas ruas, pois as cidades têm melhor esquema de adaptação física. Isso estava começando no Brasil, mas no momento está havendo um retrocesso”, finaliza o filósofo. 

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