Temer corre risco maior no TSE do que no STF



Temer corre risco maior no TSE do que no STF

KENNEDY ALENCAR 
 BRASÍLIA
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Fachin e Janot deveriam falar sobre acusações de advogado do presidente
O presidente Michel Temer corre risco maior no julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) do que no inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal).

Se for negativo o julgamento da chapa Dilma-Temer, o atual presidente perderia o poder em breve. Há possibilidade de recurso ao STF, mas a margem de manobra do presidente se estreitaria muito politicamente.

Houve inúmeras previsões a respeito do desfecho do julgamento no TSE. Ora, pareceu que a tendência seria a absolvição de Temer. Ora, surgiram sinais de que a situação do presidente se agravara e ele poderia ser condenado. Difícil prever uma tendência.

A preocupação do governo com a divulgação de uma eventual gravação do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que foi preso no sábado, tem relação com o julgamento no TSE. Apesar de a delação da JBS não fazer parte desse processo na Justiça Eleitoral, uma revelação de tal sorte, ainda que rebatida pela defesa de Temer, poderia criar ambiente desfavorável ao presidente no tribunal.

Já o processo no Supremo tende a ser barrado, porque hoje seria provável a reunião de apoio na Câmara a favor de Temer. Mesmo que haja um pedido de vista nesta semana de um ministro do TSE, não será possível empurrar o processo com a barriga durante meses. Provavelmente, em uma ou duas semanas, o julgamento seria retomado

Portanto, a principal batalha de Temer está no TSE, porque ela tende a ter um desfecho nesta ou nas próxima semanas. As demais batalhas, como um processo no STF ou um eventual impeachment no Congresso, poderiam se alongar por meses. Temer não dá o menor sinal de que possa desistir de lutar até o fim.

Há exemplos nesse sentido. Um dos advogados de Temer, Gustavo Guedes, disse à jornalista Marina Dias, da “Folha de S.Paulo”, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderia divulgar gravação de uma nova conversa de Rodrigo Rocha Loures, na qual o ex-deputado federal e ex-assessor presidencial incriminaria Temer. Tal divulgação teria o objetivo de influenciar o julgamento no TSE, afirmou Guedes.

Na semana passada, deputados federais apresentaram ofício à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara a fim de pedir manifestação do ministro do Supremo Edson Fachin a respeito de eventual relação com Ricardo Saud, executivo e delator da JBS. Saud teria ajudado Fachin a obter apoio político para ter a indicação ao STF aprovada pelo Senado.

São graves as acusações do advogado de Temer. Gustavo Guedes também afirmou que Janot e Fachin adotam medidas processuais para acelerar o inquérito e prejudicar o presidente. Janot e Fachin precisam se manifestar. Não é admissível o eventual uso político de uma investigação contra ninguém. Se esse uso aconteceu em relação ao presidente da República, todos os cidadãos correm risco semelhante.

É preciso tirar a limpo essas acusações. Janot e Fachin não podem simplesmente ficar calados. Essa guerra dos defensores de Temer contra o procurador-geral e o ministro do STF tende a crescer ainda mais hoje, véspera do início do julgamento no TSE.

Denúncia à vista

O governo avalia que Janot deverá apresentar ao STF uma denúncia contra Temer nas próximas semanas, provavelmente acusando o presidente de corrupção passiva e obstrução de Justiça, como aconteceu na sexta com o senador afastado Aécio Neves _licenciado da presidência do PSDB.

Uma denúncia teria impacto negativo nos esforços do presidente para se manter no poder. Por isso, há mobilização do governo para barrar a autorização para essa denúncia seguir adiante no Supremo. São necessários dois terços dos deputados federais para que o presidente possa ser processado por crime comum no STF. Hoje, o governo teria apoio para barrar tal iniciativa.

IG Notícias - Blog do Kennedy Alencar

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