Temer gasta R$ 100 milhões em campanha pela reforma da Previdência



11/07/2017
Temer gasta R$ 100 milhões em campanha pela reforma da Previdência
O POVO Online
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O dinheiro gasto entre janeiro e junho de 2017 com a publicidade sobre a reforma é o equivalente a 55% de todo o orçamento para campanhas publicitárias do governo neste ano
Pressionado pela baixa popularidade, o presidente Michel Temer (PMDB) já gastou, em 2017, R$ 100 milhões com uma campanha publicitária para defender a necessidade da reforma da Previdência, uma das principais bandeiras do governo.
Os gastos são quase dez vezes maiores do que o orçamento previsto para essa campanha. Os dados estão disponíveis no portal da LAI (Lei de Acesso à Informação) do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.
A reforma da Previdência, ainda tramitando no Congresso Nacional, é defendida pelo governo Temer como essencial para diminuir parte do rombo nas contas públicas. A equipe econômica do governo estimou o déficit previdenciário em R$ 149 bilhões, o maior desde 1995.
Por conta da polêmica envolvendo as mudanças propostas pelo governo, como o estabelecimento de uma idade mínima para aposentadoria, o Planalto dedicou boa parte do orçamento destinado a ações de utilidade pública para a campanha sobre a reforma da Previdência.
O orçamento previsto pela Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) para 2017 era de R$ 180 milhões. É também maior que os gastos do governo com programas sociais como os que preveem a defesa dos direitos das mulheres.
A princípio, a campanha estava prevista para custar R$ 13 milhões. Esse dado foi disponibilizado pelo governo em atendimento a um pedido de acesso à informação via LAI. Dados atualizados mostram, contudo, que apenas entre janeiro e junho deste ano, foram gastos R$ 100,06 milhões.
Os meios que mais receberam recursos foram TV (R$ 57,4 milhões), rádio (R$ 19,3 milhões), mídia exterior (R$ 10,7 milhões), internet (R,9 milhões), jornal (R$ 4,5 milhões) e revista (R$ 3,8 milhões). Os dados disponibilizados pelo governo não permitem, porém, verificar quais foram os principais veículos beneficiários das verbas.
O valor gasto com a propaganda da reforma da Previdência é quase cinco vezes superior ao custo da campanha veiculada em 2016 durante o processo que terminou na aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do teto dos gastos públicos, outra medida polêmica defendida pelo governo. Naquela ocasião, o governo gastou R$ 17 milhões em publicidade sobre o tema. Esse dado foi fornecido pelo governo em resposta a um pedido de acesso a informação via LAI.
Se comparada, essa publicidade também é superior a gastos em programas sociais como os relacionados à defesa dos direitos da mulher, por exemplo. Segundo dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), os sete programas governamentais destinados a isso consumiram R$ 28 milhões entre janeiro e junho deste ano.
Baixa popularidade e denúncia da PGR
Temer vive um de seus piores momentos desde que assumiu o governo, em maio de 2016, com o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha em junho deste ano, a aprovação de Temer é apenas 7% da população, a menor marca já registrada em 28 anos.
No âmbito judicial, ele é alvo de uma denúncia por corrupção passiva feita pela PGR ( Procuradoria-Geral da República). É acusado de ter aceitado receber propina paga por executivos da J&F por meio do ex-deputado e ex-assessor da Presidência Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR). Segundo a PGR, o valor total da propina da qual Temer se beneficiaria era de R$ 38 milhões. O presidente nega as acusações.
Redação O POVO Online 

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