Ciberataque faz INSS atrasar benefício, e mãe é despejada com bebê no DF


Ciberataque faz INSS atrasar benefício, e mãe é despejada com bebê no DF
Por Neila Almeida*, G1 DF


Despejada após falha nos computadores do INSS, empregada doméstica reúne móveis para tirar da casa de onde foi despejada, no DF (Foto: Arquivo pessoal)
Empregada doméstica tenta receber licença maternidade desde maio; ela teve que vender móveis e foi morar com a mãe. 'Culpa' é de invasão do WannaCry em maio, diz INSS.

o último fim de semana uma mãe com um bebê recém-nascido foi despejada da casa onde morava em Santa Maria, no DF, após não pagar três meses de aluguel. Elaine Pinheiro, empregada doméstica, tenta há quase três meses receber o benefício da licença maternidade, mas segundo o INSS, o ataque do vírus WannaCry, em maio, gerou atraso no repasse (entenda abaixo).

Elaine contou ao G1 que a dona da quitinete onde ela morava pediu o imóvel de volta por falta de pagamento. Ela então precisou se desfazer dos móveis, que não tinha para onde levar, e foi morar com a mãe que está desempregada.

A empregada doméstica deu entrada na liceça maternidade quando estava na 38° semana de gestação, no dia 19 de maio. Um mês depois, já com o bebê de colo, ela voltou a um posto do INSS para saber porque o benefício não tinha caído.

“Eu fui informada que no dia em que eu dei entrada houve um erro no sistema e o meu benefício não foi gerado.”

Elaine disse que voltou diversas vezes ao posto do INSS, mas não consegiu atendimento. Ela conta que precisou pegar dinheiro emprestado para pagar a passagem de ônibus e só esta semana foi atendida. Mesmo assim, não há previsão de quando ela vai receber o benefício.
Elaine Pinheiro está de atestado médico desde o dia 5 de maio. (Foto: Arquivo pessoal)











Objetos de família despejada por falha do INSS, no Distrito Federal (Foto: Arquivo pessoal)

“Eles me deram um papel com o número do meu benefício, mas me informaram que o pedido está em análise e que eu tenho que aguardar mais 45 dias para sair o resultado”. Elaine disse que liga todos os dias para o telefone 135 – Central de acompanhamento do INSS – mas quando informa que é empregada doméstica recebe a informação de que precisa mesmo esperar um mês e meio para a análise do benefício.

“É humilhante, você paga a contribuição e eles debocham da sua cara. Não 'tô' pedindo nada, é meu direito.”

O último salário que Elaine recebeu foi no início de maio, desde então, ela sobrevive com um auxílio do bolsa família, e doações até de fraldas para o bebê. A licença maternidade é de 120 dias corridos. No próximo dia 6 de setembro, Elaine deve voltar ao trabalho.

Ciberataque

Em nota, o INSS respondeu que a 'culpa' é do ataque cibernético que atingiu o órgão no mês de maio e fez com que o processamento dos pedidos fossem iniciados de forma manual. No dia 12 de maio, o vírus de resgate WannaCry atacou computadores de 150 países, derrubou sistemas na Europa e ameaçou corporações e serviços públicos em todo o mundo.

Segundo o órgão, cerca de 10 mil processos requeridos nas unidades do INSS no DF sofreram atrasos e agora estão sob os cuidados de um equipe que, em regime de mutirão, está analisando os pedidos por ordem de chegada.

O INSS também disse ao G1 que o requerimento da empregada doméstica está com data de 19 de maio, ou seja, o prazo de 45 dias – que ela foi informada que precisaria aguardar– já passou. Segundo o INSS, Elaine deve receber a confirmação do benefício, com a data para sacar o dinheiro com os retroativos, nos próximos dias.

*sob supervisão de Maria Helena Martinho

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