Desemprego! Irmãs investem rescisão em floricultura e lutam para fazer o negócio vingar

Desemprego!
Irmãs investem rescisão em floricultura e lutam para fazer o negócio vingar
Por Luísa Melo, G1

Jacimara e Jaciara dos Santos estavam desempregadas e compraram uma floricultura; série do G1 mostra volta do empreendedorismo por necessidade e histórias de negócios criados na crise.

Jacimara dos Santos foi visitar a irmã que estava internada quando viu a placa na floricultura em frente ao hospital, na zona leste de São Paulo: "passa-se o ponto". Era maio de 2015 e ela estava desempregada há quase um ano. A irmã, Jaciara dos Santos, que tem uma doença pulmonar grave, também estava sem trabalho desde o fim de 2013.

"Eu pensei: por que não, né? Minha irmã se dá muito bem com plantas, posso investir numa coisa que vai unir o útil ao agradável."

Depois de um mês de conversas, as duas compraram a floricultura. "A loja fica em frente à maternidade. É um ponto ótimo, o pessoal vai fazer visita e compra uma florzinha", justifica Jacimara.

Jaciara e Jacimara estão entre os brasileiros que abriram um negócio durante a crise econômica para voltar ao mercado de trabalho. O G1 vai contar nos próximos dias histórias de empreendedorismo por necessidade em uma série de reportagens.


As irmãs Jaciara (à esquerda) e Jacimara, donas de floricultura na Zona Leste de SP (Foto: Rafael Leal/G1)
Sem emprego

Formada em tecnologia de processamento de dados, Jacimara, 49 anos, tinha trabalhado por 25 anos na área financeira da empreiteira Construcap e recebeu uma boa quantia do Fundo de Garantia quando foi desligada.

Ela até chegou a conseguir um emprego, mas não se adaptou e saiu em um mês. "Depois disso fiquei seis meses pagando para divulgar meu currículo, mas não surgiu nada também".

Sua irmã, hoje com 54 anos, trabalhou no Itaú por 15, mas não conseguiu se recolocar no mercado.

"Procurei muito pela internet, fui para a rua, mandei currículo. Não sei se por conta da idade, mas não consegui nada."


Jaciara, de 54 anos, é quem cuida das flores (Foto: Rafael Lea/G1)


Tudo novo

As irmãs pagaram R$ 30 mil pelo ponto e gastaram cerca de R$ 20 mil para reformar a loja. Nenhuma delas tinha experiência com flores, nem tinha tocado um negócio antes.

Elas aprenderam tudo no dia a dia, com a proprietária anterior da loja, e na internet. Também participaram de programas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Enquanto a mais velha, Jaciara, cuida dos arranjos e buquês, Jacimara faz a parte admnistrativa. Ela tem pós-graduação em gestão empresarial, mas diz que tomar conta do próprio negócio foi um desafio.

"Viver a realidade [da administração] é difícil"

A sociedade entre as duas é informal. A "Jaci Flores e Presentes" está registrada no nome de Jacimara, que é uma microempreendedora individual (MEI), mas todo o dinheiro que entra (ou sai) é dividido igualmente, garantem.

Na loja de 30 metros quadrados elas também vendem cartões e lembranças para recém-nascidos, mas são as flores que dão a maior margem de lucro.


Jacimara, de 49 anos, é responsável pela parte administrativa da floricultura (Foto: Rafael Leal/G1)

Nem tudo são flores

Empreender não tem sido uma tarefa fácil para as irmãs. A mesma crise que fez com que elas perdessem seus empregos no passado, impede o negócio de deslanchar.

A loja fatura de R$ 6 mil a R$ 8 mil por mês. Não fosse o plano de saúde que a empresa paga para as duas, as contas até sairiam do vermelho, afirmam.

"A gente só compra e paga, compra e paga... Não conseguimos lucro ainda", conta Jacimara.

As irmãs continuam usando dinheiro de suas contas pessoais para fechar as faturas da loja. "A gente vai controlando mês a mês. Às vezes faltam R$ 1 mil, R$ 800, e a gente vai colocando. Mas as vendas estão melhorando", emenda.

"O que pegou a gente foi essa fase de crise. Para todo mundo está ruim. Se você andar pelo comércio por aqui, não tem um que não reclame", queixa-se Jaciara. "A gente está contando que essa crise passe, que o Brasil avance, para a gente poder continuar", completa a irmã.

O rendimento da floricultura ainda está abaixo do que elas ganhavam como assalariadas. Jacimara ganhava R$ 4,6 mil em seu último emprego, enquanto Jaciara tinha uma remuneração de R$ 3,9 mil.

Elas mudaram o padrão de vida, mas ambas preferem não ter chefe mais. "Muitas coisas a gente foi reduzindo, uma saidinha a mais, um restaurante aqui e outro ali. O nosso padrão de vida teve que 'dar uma baixada', mas a gente vai equilibrando isso, porque não pode viver só do trabalho também, né?", diz Jacimara.

Luta para virar o negócio


As irmãs Jaciara (à esquerda) e Jacimara, donas de uma floricultura na Zona Leste de SP (Foto: Rafael Leal/G1)

As duas irmãs estão fazendo de tudo para a floricultura dar certo. Elas estão tentando renegociar o contrato de aluguel e cortando os custos ao máximo. O objetivo é viver só do negócio.

Se não der certo, elas pensam em se dividir. "Eu penso em voltar [para o mercado] e talvez deixar ela [a irmã] aqui, para a gente tentar as duas coisas. Estamos pensando num plano B", diz Jacimara. "A gente está aqui no comércio, mas correndo atrás por fora também", completa Jaciara.



Série do G1 conta histórias de empreendedorismo na crise

G1

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