Famílias ricas do Brasil tratavam imigrantes como escravas



Famílias ricas do Brasil tratavam imigrantes como escravas
Jornal Notícias

Imigrantes asiáticas e de Chipre foram aliciadas com falsas promessas de trabalho doméstico no Brasil, mas viviam em condições análogas à escravatura em casas de famílias ricas, anunciou esta terça-feira o Ministério Público do Trabalho de São Paulo.

Segundo uma investigação do Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP), as vítimas foram trazidas das Filipinas, Hong Kong, Dubai, Singapura e Nepal - e também de Chipre - com a promessa de salários de 700 dólares (cerca de 592,2 euros) mais benefícios.

Ao chegarem ao Brasil, estas mulheres eram conduzidas sem contrato formal de trabalho ou qualquer garantia de direitos para casas de famílias ricas que pagavam mais de 10 mil reais (2,7 mil euros) às agências de emprego Global Talent e SDI, que intermediavam as contratações.

A denúncia consta de um comunicado em que o MPT-SP destaca que "nas residências (as imigrantes) sofrem maus tratos e são submetidas a jornadas que podem ir das 6 às 20 horas, de domingo a domingo. Há relatos de mulheres obrigadas a ficar à disposição dos patrões 24 horas por dia".

Documentos obtidos em fiscalizações feitas pelo MPT-SP indicam que cerca de 180 mulheres foram trazidas ao Brasil pelas duas agências.

"Muitas delas não mantêm mais qualquer contacto com a agência e vivem no Brasil sem identificação ou documentos regulares de imigração", frisou o órgão de Justiça brasileiro.

A empresa Global Talent está a ser investigada no Brasil desde 2014, após a Secretaria da Justiça de São Paulo receber uma denúncia anónima de uma imigrante das Filipinas que teve os seus documentos retidos, recebeu um valor muito abaixo da remuneração prometida e foi constantemente ameaçada de deportação caso tentasse denunciar.

Naquele mesmo ano, a Global Talent subscreveu o chamado Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Justiça brasileira comprometendo-se a formalizar ou auxiliar a formalização do contrato de trabalho das estrangeiras cuja mão-de-obra tivesse intermediado.

Em 2017, porém, uma fiscalização constatou que a empresa continuava a intermediar a contratação sem as devidas formalizações, o que levou à reabertura das investigações.

O órgão de Justiça brasileiro conclui informando que três mulheres das Filipinas fugiram das residências onde trabalhavam e recorreram à Missão Paz, que fez uma denúncia formal contra as empresas investigadas.

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