Artigo: Água, agora ou amanhã?



Artigo: Água, agora ou amanhã?
Autor é mestrando Programa de Pós-graduação ProfÁgua, coordenado pela Unesp
João Ricardo Raiser, gestor e mestrando em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua)
24/09/2017
João Ricardo Raiser, gestor e mestrando em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua), programa coordenado pela Unesp, publicou, dia 24/9, o artigo 'Água: agora ou amanhã?' no jornal O Popular, de Goiânia. "Trata-se de uma reflexão sobre a crise hídrica vivida hoje no Estado de Goias, e também em outras regiões do Brasil, e sobre a nossa postura quanto à água de forma geral, e a falta de prioridade no pensar e gerir este recurso", explica.



Água: Agora ou Amanhã?

Sim, está faltando água no Meia Ponte, e no Tocantins, São Francisco e outros cantos do País.

Motivos? Cito 3:
Uso e ocupação do solo: a impermeabilização, poluição e degradação, em áreas urbanas e rurais; Falhas no planejamento e regulação dos usos: vital para alocar vazões; e Variações no ciclo hidrológico: chuvas não são constantes, e estamos num período de baixas precipitações, nos últimos 3 anos as chuvas foram 25% abaixo da média no Meia Ponte, e 35% no Tocantins.

Sim, está faltando água, mas não é só na torneira.

E agora? O agora está claro: fiscalizar e reduzir captações para garantir os usos prioritários por Lei. O que já está sendo feito pela SECIMA e pelo Sistema Estadual de Gestão de Recursos Hídricos, em especial o Comitê da Bacia Hidrográfica do Meia Ponte. E também no rio Descoberto, no Distrito Federal, em parceria com a Agência Nacional de Águas e a ADASA-DF. Por isso, a população precisa ser muito responsável e usar a água de forma racional, pois outras atividades estão sendo fechadas para garantir o abastecimento das cidades.

Mas a pergunta necessária não é “E agora?”, sim “E amanhã?”
Quando vamos mudar a forma de pensar e gerir nossas águas? Essas que tem sido tratadas como detalhe, mas que são capazes de inviabilizar a existência da vida e toda as atividades, com severos prejuízos econômicos, sociais e ambientais.

Quando passaremos desse modelo de "Gestão de Crise", de apagar incêndios, para uma "Gestão de Risco", com estrutura e capacidade para antecipar, planejar, articular e agir, com foco não só o presente, mas também no futuro? Com participação ativa do Estado, dos usuários e da sociedade.

Nossa disponibilidade hídrica é uma dádiva, mas pode se converter em maldição caso continue a reinar a ilusão de abundância, afinal, para que investir e gerir algo abundante?

Uns dizem que água é vida, e meio ambiente, história, saúde, cultura, poesia, religião. Outros que é direito humano, sanitários, pias, vassoura, calçadas, jardins, piscinas. Outros ainda, que é uso, irrigação, alimentos, indústria, saneamento, diluição dos efluentes, energia, transporte, pesca, turismo, lazer.

Água é tudo isso, e deveria ser tratada e gerida nessas premissas, qual o componente central, estratégico, base do desenvolvimento econômico e social sustentável que é, pois não há vida sem água, assim como não há indústrias, agricultura, alimentos ou empregos.

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