Nova certidão de nascimento poderá ter nome de padrasto e madrasta



Nova certidão de nascimento poderá ter nome de padrasto e madrastaPor iG São Paulo * | 21/11/2017
Nova Certidão de Nascimento já pode ser adotada pelos cartórios a partir desta terça-feira (21)
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA/DIVULGAÇÃO
Nova Certidão de Nascimento já pode ser adotada pelos cartórios a partir desta terça-feira (21)

CNJ também definiu novas regras para emissão de certidões de óbito e casamento; mudanças serão obrigatórias a partir 1º de janeiro de 2018

A partir desta terça-feira (21), todos os cartórios de registro civil poderão adotar os novos modelos de certidões de nascimento, casamento e óbito definidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Entre as mudanças, os novos documentos vão facilitar registros de paternidade e maternidade de filhos não biológicos, além de regulamentar o registro de crianças geradas por técnicas de reprodução assistida.

Os cartórios terão até o dia 1º de janeiro de 2018 para se adaptar à nova Certidão de Nascimento e demais documentos. Desta data em diante, os novos formatos se tornarão obrigatórios em todo território nacional.

A principal novidade é a que permite a inclusão de nomes de pais socioafetivos sem necessidade de recorrer ao Judiciário. Ou seja, para que um padrasto, madrasta ou novo companheiro de um dos pais da criança conste no documento como pai ou mãe, basta que o responsável legal por ela manifeste esse desejo no cartório. No caso de filhos a partir de 12 anos de idade, é necessário seu consentimento.

O campo filiação terá espaço para indicação dos nomes dos pais, que podem ser heterossexuais ou homossexuais, e os avós maternos e paternos serão substituídos pela nomenclatura ascendentes. A certidão poderá conter os nomes de até dois pais e duas mães em razão da dissolução de casamentos ou relacionamentos estáveis dos pais e a formação de um novo núcleo familiar. Do ponto de vista jurídico, não haverá diferença entre eles.

“Essa medida tem grande importância social, pois dá valor legal aos vínculos de amor e afeto criados ao longo da vida entre pais e mães socioafetivos e a criança”, afirma Gustavo Fiscarelli, diretor regional da Grande São Paulo da Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo (Arpen-SP).

Para ele, além de oficializar um relacionamento natural, a medida também assegura os direitos de ambas as partes no contexto da relação, como direitos a heranças e pensões. O filho socioafetivo passa a gozar dos mesmos direitos de um filho biológico ou adotivo.

Outras novidades


Já em relação à reprodução assistida, o registro das crianças passa a ser feito diretamente no cartório quanto à gestação for resultado das técnicas de inseminação artificial, doação de gametas ou barriga de aluguel, além de casos post mortem - quando o genitor doador de material genético já tiver morrido.

A naturalidade da criança também tem novas regras. A partir de agora, a família pode registrar o filho tanto pela cidade onde nasceu, como ocorre hoje, como pelo local onde reside a família. “Essa medida aproxima a criança de suas raízes, do local onde seus ascendentes se instalaram e talvez onde ela vá viver”, diz o representante dos cartórios. “Muitas cidades que não têm maternidades simplesmente não têm cidadãos naturais.”

O número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) também passa a constar obrigatoriamente dos documentos. A intenção é facilitar a vida dos cidadãos, que terão praticamente um documento universal. Além do CPF, a certidão terá espaço para incluir os números da carteira de habilitação, do passaporte e do documento de identidade, que serão introduzidos durante a vida da pessoa.

Fonte: Último Segundo - iG 

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