Para Banco Mundial, Previdência desequilibra as contas do Brasil

Para Banco Mundial, Previdência desequilibra as contas do Brasil



Mais de 90% do orçamento estão comprometidos, impedindo investimentos. Recomendação do Banco Mundial ao governo é atacar os privilégios.

O Banco Mundial apresentou, nesta terça-feira (21) ao governo federal, um estudo sobre os gastos públicos no Brasil e apontou a Previdência como o motor do desequilíbrio das contas do país.

Um olhar que vem de fora: o Brasil gasta mais do que pode e gasta mal. Economistas do Banco Mundial constataram que mais de 90% do dinheiro do orçamento estão comprometidos, impedindo investimentos.

O estudo afirma que o sistema de aposentadorias do Brasil é injusto: 35% do dinheiro usado para bancar a Previdência beneficiam os 20% mais ricos, enquanto apenas 18% desse dinheiro chegam para os 40% mais pobres.

O Banco Mundial recomenda atacar privilégios. O valor dos salários pagos aos servidores públicos federais é muito mais alto que o valor pago pelo setor privado: 67% a mais, uma conta desigual e que tem consequências na Previdência.

Em 2016, o rombo do INSS atingiu R$ 150 bilhões para pagar 29 milhões de aposentados e pensionistas do setor privado. Nas aposentadorias públicas pagas pela União, o rombo alcançou R$ 77 bilhões para pagar menos de um milhão de beneficiários. O estudo do Banco Mundial sugere tributar as aposentadorias e pensões mais altas de servidores.

O Banco Mundial alerta que o rombo do sistema de aposentadorias cresce de maneira desenfreada e se tornou um fator de pressão para a saúde financeira do Brasil, e a única forma de fazer com que o dinheiro público possa ser investido também em outras áreas prioritárias, como saúde, educação e segurança, é uma reforma das previdências pública e privada.

O ministro da Fazenda voltou a defender os pontos da reforma, como o aumento da idade de aposentadoria que, na prática, vai diminuir a desigualdade.

“Hoje, os 20% de menor renda na população normalmente não conseguem se aposentar por tempo de contribuição por uma razão muito simples: eles não têm possibilidade, muitos deles, a maioria deles, de ter 35 anos com carteira assinada. O tempo todo. Então o que acontece? Aqueles 20% de renda menor tendem a se aposentar por idade”, disse Henrique Meirelles.
Em uma cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer reforçou a necessidade de votar a reforma.

“Os dados todos indicam que, se não fizermos a reforma da Previdência, que vai permitir o pagamento das pensões, nós podemos entrar em climas de países da Europa que deixaram para muito tarde a reforma previdenciária e, quando tentaram fazê-la, tiveram que cortar 40% das aposentadorias, 40% dos salários, dos vencimentos dos funcionários públicos, um drama brutal”, afirmou.

O presidente da Câmara disse que só vai botar a reforma em votação quando houver acordo entre os partidos. O relator Arthur Maia prometeu apresentar o texto na quarta-feira (22), depois de um jantar com Temer e aliados no Alvorada.

Do G1

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