Sem pessoal, posto da PF fecha de madrugada em cidade na rota do tráfico de armas



Sem pessoal, posto da PF fecha de madrugada em cidade na rota do tráfico de armas

29/11/2017




Localizado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, o posto de controle de imigração da Polícia Federal em Aceguá, no interior do Rio Grande do Sul, passa as madrugadas, finais de semana e feriados fechado por falta de pessoal. Enquanto permanece sem funcionar, o fluxo de pessoas nesse ponto da fronteira é livre.

Aceguá é um município de pouco mais de 4.700 habitantes segundo o IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A região é conhecida pelo intenso tráfico de armas do Uruguai para o Brasil. Questionada pelo UOL, a PF diz que o posto fica fechado durante a madrugada porque o fluxo de pessoas no local é muito baixo durante esse período.


Por se situar em uma região de fronteira, a cidade conta com um posto de imigração para fazer o controle do fluxo de estrangeiros. Atualmente, o estabelecimento tem dois agentes que atuam no atendimento aos estrangeiros que entram e saem do Brasil.

Esses funcionários se revezam em dois turnos que compreendem o período das 7h às 23h. Das 23h às 7h, nos finais de semana e nos feriados, o posto fica fechado. A situação chegou a ser pior há aproximadamente um mês, quando o posto tinha apenas um agente de controle migratório e só funcionava das 7h às 19h.

A delegacia da PF mais próxima do posto fica a 60 quilômetros de Aceguá, na cidade de Bagé. Nesta unidade há atendimento 24 horas por dia.

Para o presidente do Sinpef-RS (Sindicato dos Policiais Federais do Rio Grande do Sul), Ubiratan Sanderson, o fechamento do posto de Aceguá facilita o tráfico de armas na região.

"A gente sabe que o tráfico de armas na fronteira do Brasil com o Uruguai é muito grande e esse posto fechado facilita a vida de quem quiser fazer esse comércio ilegal. Nossos agentes não estão tendo condições de trabalhar", disse Sanderson.

Dados do Ministério da Justiça mostram que, entre 2012 e 2016, as apreensões de armas ilegais no Rio Grande do Sul aumentaram 422%, saindo de 90 para 470, enquanto a média nacional registrou uma queda de 59% no mesmo período, saindo de 15.395 em 2012 para 6.270 em 2016.

Dados da Inteligência da Polícia Federal dão conta que o tráfico de armas pelo Uruguai se intensificou nos últimos 20 anos. "É uma região de fronteira seca. Não há obstáculos naturais que impeça o fluxo de carros, que é pouco fiscalizado pela baixo efetivo da PF nas fronteiras", diz Sanderson, que é agente da PF há 21 anos, os cinco primeiros dedicados à atuação na região da fronteira.

A reportagem do UOL tentou falar com funcionários do posto por telefone, mas foi informada de que eles não poderiam se manifestar sobre o assunto.

Outro lado

Por e-mail, a Superintendência da PF no Rio Grande do Sul enviou uma nota na qual disse que o fechamento do posto em Aceguá se dá porque "o movimento no Posto Migratório é muito baixo durante a madrugada, não justificando o emprego de policiais federais para tal atividade nesse período".

A nota diz ainda que, enquanto o controle migratório na região é feito pelo posto da PF em Aceguá, "o controle securitário é feito pela Delegacia da Polícia Federal situada em Bagé" e que a unidade faz ações de inteligência em cooperação com outras forças policiais.

A PF diz ainda que "as necessidades (de mão de obra) são muito maiores, e os resultados para a sociedade mais eficientes, com a utilização desses servidores em investigações policiais e na produção de conhecimento e de inteligência, na sede da delegacia".

Questionada sobre se havia a previsão de ampliar o efetivo no posto de Aceguá, a PF disse que existe essa possibilidade entre os meses de dezembro e fevereiro, conforme a demanda.

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