O nome Carmen Medina talvez não soe familiar para você, mas a trajetória dela é interessante para entender como poder e status não necessariamente andam de mãos dadas. Dona de um perfil ambicioso e obstinado, ela começou a carreira na CIA como analista nos anos 90 e foi convidada a fazer parte de uma missão de três anos na Europa. Quando retornou aos Estados Unidos, percebeu que a carreira, de certa forma, tinha ficado estagnada e começou a se envolver em trabalhos que discutiam o futuro da inteligência. 

As ideias que ela expunha eram audaciosas e disruptivas para aquela época. Medina sugeriu a criação de uma plataforma que permitisse que agências de inteligência de vários países compartilhassem informações sigilosas. A recepção entre os colegas e superiores não foi positiva naquele momento. 

Depois de vários episódios em que foi desrespeitada, teve uma discussão tensa no trabalho, foi obrigada a tirar licença por alguns dias e acabou sendo realocada em uma posição diferente, ficando responsável por trabalhos burocráticos. Três anos depois ela resolveu se reerguer e trilhar novamente seu caminho para tentar criar o sistema integrado de inteligência. Menos de uma década depois, o nome dela entrou para a história da CIA, sendo uma das responsáveis pelo Intellipedia, plataforma que permite que as agências de inteligência compartilhem informações entre si. 

O resumo da trajetória de Medina é descrito no livro Originais, de Adam Grant. A diferença entre os desfechos que ela teve nos dois momentos da carreira servem como referência para entendermos a sintonia que precisa existir entre poder e status para que uma carreira deslanche. A chave para que ela alcançasse o sucesso foi aprender a se comunicar de uma forma diferente. No primeiro momento, ela tentou exercer poder sem ter a simpatia de seus pares - afinal, havia passado muito tempo fora do país e não era tida como uma pessoa querida e respeitada dentro do grupo. Posteriormente, por outro lado, ela conquistou o respeito necessário dentro da CIA antes de tentar novamente impor suas ideias - para que suas inovações fossem vistas com bons olhos. 

Uma pesquisa feita na Universidade da Carolina do Norte mostrou como essa trajetória de queda e ascensão é algo plausível de acontecer no meio corporativo. O estudo apontou que as pessoas que tentam exercer poder sem status acabam recebendo punições, além de ficarem mal vistas. Como efeito colateral, quando tentamos exercer poder e não somos respeitados, alimentamos um círculo vicioso de tentar impor comportamentos cada vez mais desrespeitosos.

Os pesquisadores constataram isso ao realizarem um teste. Eles organizaram duplas, sendo que uma pessoa determinava a tarefa que a outra iria fazer, em troca de um bônus de US$ 50. Por exemplo, o participante A ordenava que o B fizesse um origami difícil para que eles ganhassem o prêmio. Quando aqueles que tinham poder eram informados que seus pares lhes respeitavam e admiravam, acabavam escolhendo tarefas simples para o prêmio em questão. No entanto, aqueles que eram informados que seus pares lhes detestavam acabavam escolhendo tarefas difíceis ou degradantes. Alguns chegaram a passar tarefas como imitar um cachorro e repetir "sou imundo" algumas vezes. Conforme apontaram os resultados, saber que não eram respeitados quase dobrava o potencial dos detentores de poder em determinar tarefas humilhantes. 

Ao propor algo grande dentro de uma corporação, é preciso que as pessoas da equipe compartilhem o entendimento de que a mudança vem como forma de somar a todo o grupo. Isso não acontece se você não tiver o respeito e admiração dos colegas e superiores. Se tentar exercer apenas o poder que lhe cabe, mas sem ter respeito, por mais que sua ideia possa trazer benefícios para o todo seu posicionamento provavelmente será hostilizado. 

Seu talento no que faz é determinante para que você cresça dentro de uma empresa. Mas de nada ele valerá se você não tiver uma boa comunicação com os colegas e superiores. O mesmo vale para aqueles que ocupam os cargos mais altos dentro de uma hierarquia. Ainda que a posição de destaque remeta a uma ideia de poder ilimitado sobre os demais, quando mais o poder for exercido apenas pelo poder, menos respeito existirá entre a equipe e maiores serão as chances de uma substituição - tendo em vista os prejuízos que um chefe hostil pode trazer para a produtividade de uma empresa.