Criminoso do PCC morto pela polícia em Maceió tinha patrimônio de R$ 8 milhões



Criminoso do PCC morto pela polícia em Maceió tinha patrimônio de R$ 8 milhões










  • Polícia Federal / Divulgação
  • Polícia apreendeu 500 mil dólares com suspeito de lavagem de dinheiro
  • Erik da Silva Ferraz usava identidade falsa e
  •  vivia como um empresário bem-sucedido
  • Restaurantes, uma academia, carros de luxo, um barco e uma casa no condomínio de luxo mais tradicional de Maceió (AL). Esses são alguns dos bens do patrimônio estimado em R$ 8 milhões que pertencia a Erik da Silva Ferraz, 39 -- suspeito de ser membro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e morto em uma ação da Polícia Federal na quinta-feira (7).
O pequeno império foi erguido por ele em menos de dois anos na capital alagoana. O suspeito usava uma identidade falsa: a do empresário Bruno Augusto Teixeira Júnior. Mas o sucesso rápido chamou a atenção dos policiais.
Os negócios abertos por ele estavam sendo usados em operações de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, segundo a Polícia Federal. A ideia sera fazer o dinheiro do crime ganhar uma aparência lícita, como se fosse fruto de empreendimentos legais.
Ferraz tinha um longo histórico de crimes, segundo a polícia. Ele havia sido um dos participantes do assalto ao avião pagador da TAM, em 1996, em São José dos Campos. Parte dos R$ 6 milhões roubados da aeronave foram repassados ao PCC, que havia sido criado cerca de três anos antes.
O suspeito era considerado pela polícia uma liderança do PCC que atuava no tráfico de drogas no Vale do Paraíba, em São Paulo, principalmente na área de São José dos Campos. Era conhecido como "Erik do Vale".
Uma fonte envolvida em investigações do PCC em São Paulo afirmou ao UOL que Ferraz já teve um cargo de chefia na facção, mas estava afastado dessa função. O líder do PCC, segundo investigações da polícia e do Ministério Público, é o detento Marcos Camacho, o Marcola.

Condomínio de luxo

Ferraz havia sido localizado há dois meses em Maceió e era monitorado pela Polícia Federal. Ele morava no condomínio de luxo mais tradicional de Maceió, o Aldebaran, onde vivem muitos empresários, políticos e membros do Judiciário.
Para chegar lá é preciso passar por uma pista repleta de guaritas de segurança. O condomínio é formado por três módulos, e ele vivia no que é apontado como o mais luxuoso deles. O conjunto é repleto de áreas verdes e de equipamentos de lazer. As casas não têm muros --mas são vigiadas por seguranças 24 horas por dia.
Segundo apuração do UOL com três corretores, um casa no condomínio custa entre R$ 750 mil e R$ 4 milhões, a depender do tamanho e do luxo.

Negócios

Ferraz se casou com a alagoana Gabriela Terêncio de Souza Araújo e foi morar em Maceió há dois anos.
Nesse período, montou quatro negócios: uma academia, um pizzaria, um bar estilo pub e um restaurante. Além disso, possuía uma casa de luxo na praia de Barra de São Miguel, automóveis importados, jet ski, barco e muitas joias.
A PF descobriu que a mulher, a sogra e cunhados dele participariam também do esquema criminoso. Todos foram presos nessa quinta-feira por ordem da 17ª Vara Criminal da Capital.

Empresários discretos

Ferraz era um empresário discreto e dado a poucas aparições em círculos sociais em Alagoas. Ele e a mulher eram bem vistos pelos funcionários.
UOL conversou com um funcionário de um dos estabelecimentos deles, que relatou nunca ter imaginado qualquer ligação dos chefes com o crime.
"A dona mesmo aqui é a mulher dele; mas tanto ele, como ela, eram pessoas muito tranquilas, educadas, sempre estavam por aqui, faziam tudo certo com a gente. Estou sem acreditar, o sentimento é de choque mesmo", disse o homem sem se identificar.
Por conta da operação, os estabelecimentos não estão funcionando e não há previsão de abertura. A programação do bar para dezembro foi cancelada, segundo informou o funcionário.

Dólares

"A capacidade financeira deles era nenhuma e de repente começaram a lucrar", afirmou o superintendente da PF em Alagoas, Bernardo Gonçalves de Torres.
Para a Polícia Federal, o esquema de lavagem de dinheiro operado por Ferraz tinha ramificações internacionais. Foram apreendidos cerca de 500 mil dólares (R$ 1,64 milhão) durante a operação na quinta-feira.
"A gente trabalha com a suspeita que a lavagem de dinheiro era feita em Maceió pelo Erik (Ferraz). Ele utilizava a esposa, a sogra e os cunhados para ocultar o patrimônio com o trafico de entorpecentes", explica Torres.
Quando policiais foram até o condomínio onde Ferraz morava, com o objetivo de prendê-lo, ele reagiu e acabou sendo morto, de acordo com a Polícia Federal. 

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