Justiça condena braço direito de ex-governador que filmou romaria das propinas


Justiça condena braço direito de ex-governador que filmou romaria das propinas
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O ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Pedro Jamil Nadaf, foi condenado a  07 anos, dois meses e 27 dias de prisão, além de pagamento de multa pelos crimes de organização criminosa, concussão e lavagem de dinheiro, em decorrência da ação penal da Operação Sodoma I.
Nadaf foi considerado pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Santos Arruda, como “um dos principais articuladores dos esquemas ilícitos” durante a gestão do então governador Silval Barbosa (sem partido).
Segundo a magistrada, Nadaf “demonstrou ter muita desenvoltura com a prática de ilícitos”.
De acordo com a decisão da juíza, do dia 15 de dezembro, Pedro Nadaf “desviou-se de suas nobres funções para se dedicar reiteradamente a práticas delituosas, em detrimento da imagem da Administração Pública e do patrimônio da vítima João Batista” delator da primeira fase da Operação Sodoma, “que por sua vez foi beneficiado com incentivo fiscal em desfavor do Estado de Mato Grosso.
O ex-secretário da Casa Civil, que chegou a ficar preso por mais de um ano no Centro de Custódia de Cuiabá, após a deflagração da Operação Sodoma I, em 15 de setembro de 2015, foi o primeiro agente público a celebrar acordo de colaboração premiada. Ouvido pelo Ministério Público e posteriormente em Juízo, enfrentou cada uma das acusações sem esquivar-se ou dissimular nenhuma declaração, diz trecho da sentença.
Além do ex-secretário, o ex-governador Silval Barbosa, o ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi, o ex-chefe de gabinete Sílvio Correa Araújo, o ex-procurador Francisco de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, e Karla Cecília de Oliveira Cintra, que foi secretária de Pedro Nadaf na Fecomércio,também foram condenados.
OPERAÇÃO SODOMA I
Os fatos vieram à tona com a Operação Sodoma realizada pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), em 15 de setembro de 2015.
Na época, Marcel de Cursi e Pedro Nadaf foram presos durante pela Defaz. Dois dias depois, em 17 de setembro, Silval Barbosa se entregou. Os três ficaram presos no Centro de Custódia de Cuiabá. 
O ex-governador chegou a ficar quase dois anos presos no CCC.
De acordo com a denúncia, no período de 2011 a 2015, “de forma arbitrária e violando os princípios da Administração Pública e, em especial da Administração Tributária, a Organização foi responsável pela edição de inúmeras normas tributárias esdrúxulas, casuísticas e, a serviço de interesses escusos, cujas regras eram criadas no interesse do grupo criminoso, sempre na busca da obtenção de vantagem indevida”.
Conforme as investigações, houve indícios de que o grupo também tivesse atuado no financeiro do Executivo, realizando pagamentos indevidos ou exigindo vantagem indevida para saldar os compromissos regulares.
A denúncia criminal, no entanto, referiu-se a fatos envolvendo a concessão de benefícios fiscais às empresas Tractor Parts Distribuidora de autopeças Ltda, DCP Máquinas e Veículos Ltda e Casa da Engrenagem Distribuidora de Peças Ltda.
“A presente denúncia refere-se à atuação da organização criminosa no seio da Administração Pública, que exigiu, por intermédio de seus membros (agentes públicos), vantagem indevida do empresário (João Batista Rosa) para a manutenção de incentivo fiscal, via Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso, em prol de pessoas jurídicas, bem como, a prática de lavagem de dinheiro da vantagem indevida auferida e, em fase posterior o crime de extorsão”, explicou a promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, em um trecho da denúncia aceita pela Justiça.
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