Cidade de funcionária paga por gabinete de Bolsonaro não tem emendas há dez anos



Cidade de funcionária paga por gabinete de Bolsonaro não tem emendas há dez anosPor iG São Paulo | 16/01/2018

Em resposta aos questionamentos sobre seu patrimônio, Bolsonaro acusou de “canalha” a imprensa
Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil - 22.06.2016
Em resposta aos questionamentos sobre seu patrimônio, Bolsonaro acusou de “canalha” a imprensa

Informação põe em cheque explicação de Bolsonaro sobre funcionária em Angra; jornal diz que ela presta serviços na casa de praia do deputado

Há mais de dez anos o deputado federal e possível candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSC-RJ) não envia dinheiro de emendas parlamentares à cidade de Angra dos Reis, onde atua uma funcionária sua paga pela Câmara dos deputados. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

Uma reportagem publicada na semana passada no mesmo veículo mostrava que o congressista usa verba da Câmara para pagar uma servidora que, na verdade, prestaria serviços particulares de limpeza em sua casa de praia em Angra. Walderice Santos, a funcionária, está na lista de funcionárias do gabinete de Bolsonaro desde 2003.

Questionado pelo jornal, o deputado alegou que Walderice, que também é dona de uma loja de açaí na cidade, tem como função reportar a ele e ao chefe de seu gabinete “qualquer problema na região”, de forma que verbas de emendas parlamentares seriam destinadas para sanar tais problemas.

A checagem do jornal, portanto, coloca dúvida sobre a explicação do deputado. Ainda de acordo com a Folha, Edenilson Garcia, marido de Walderice, seria caseiro do presidenciável em Angra.

Patrimônio


No início do mês, a Folha publicou outra reportagem em que questiona a evolução patrimonial do deputado e seus filhos. A família possui 13 imóveis com preço de mercado de, pelo menos, R$ 15 milhões. Pelo levantamento realizado, a maioria dos imóveis está em pontos valorizados do Rio de Janeiro , como Copacabana, Barra da Tijuca e Urca.

Entre os imóveis adquiridos nos últimos dez anos, dois estão em um condomínio na Barra, à beira-mar, na Avenida Lúcio Costa – um dos locais mais valorizados do Rio. De acordo com o jornal, documentos oficiais mostram que as casas foram adquiridas por R$ 400 mil, em 2009, e outra por R$ 500 mil, em 2012. Contudo, na época, a prefeitura avaliava o preço muito acima – algo em torno de R$ 1,06 milhão e R$ 2,2 milhões, respectivamente.

Como a família comprou os dois imóveis com uma diminuição injustificada no valor, segundo os critérios do Coaf (Ministério da Fazenda) e do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), existem indícios de operação suspeita de lavagem de dinheiro.

Em resposta aos questionamentos sobre seu patrimônio, Jair Bolsonaro acusou de “canalha” a imprensa. Ele disse acreditar que está em curso uma tentativa de desestabilizar sua candidatura. “Eles preferem até um petista na Presidência do que eu", afirmou nas redes sociais.

Fonte: Último Segundo - iG 

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