Holocausto - Memória e esquecimento



Holocausto  
Memória e esquecimento
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O escoar do tempo, mesmo efeito que nos permite o sentimento de renovação ao final de cada ano, que ilusoriamente nos faz crer que o primeiro de janeiro poderá ser diferente do 31 de dezembro, é também o que nos distancia de fatos históricos que deveriam ser atemporais.

Ainda que nos dias atuais nosso país tenha os olhos voltados exclusivamente às decisões das cortes superiores acerca de crimes envolvendo os mandatários da nação, precisamos reservar um tempo neste 27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, ferida sangrenta da História da Humanidade que, possivelmente, jamais irá cicatrizar.

O termo “genocídio”, cunhado em 1944 pelo advogado judeu polonês Raphael Lemkin, é formado a partir da palavra grega geno-, que significa raça ou tribo, com a palavra latina -cídio, que quer dizer matar e, de certa forma, responde a uma declaração do então Primeiro Ministro Britânico, Winston Churchill, que em agosto de 1941 afirmou: “Estamos presenciando um crime sem nome”.

Entretanto, antes de 1944, ainda que a palavra não existisse, o horror do genocídio já havia acontecido, seja pelas mãos de Gengis Khan, no século XIII, seja pelas mãos do colonizador belga no Congo, em 1890, seja o horror perpetrado pelo Império Turco-Otomano aos armênios ou pela União Soviética aos ucranianos, já no século XX.

Tido como o maior de todos os genocídios, mas não o último, o Holocausto representa o horror de um estado assassino, uma vez que a liderança nazista desenvolveu mecanismos direcionados à reestruturação da composição étnica europeia, em defesa para pureza ariana, utilizando o extermínio em massa como ferramenta. Dentre os grupos que, de acordo com as políticas nazistas deveria ser exterminado – os “indesejados”, estavam judeus, ciganos, homossexuais e deficientes, além de líderes poloneses e soviéticos.

Nas décadas seguintes, mesmo com a infinidade de literatura específica, filmes, e estudiosos debruçados sobre as questões envolvendo o Holocausto, os genocídios continuaram sendo prática comum a governos tiranos, como o genocídio em Ruanda (1994) ou o genocídio perpetrado pelo Estado Islâmico, um autoproclamado califado, que em 2016 exterminou muçulmanos xiitas em áreas sob seu controle, na Síria e no Iraque.

Que neste dia tão simbólico, todos nós possamos nos unir em reflexões, silêncio e respeito aos descendentes de segunda e terceira gerações de judeus exterminados pelo Alemanha Nazista de Adolf Hitler; que possamos, ao nos lembrar da maior barbárie da Idade Moderna, analisar criticamente o que a História nos ensina; que possamos assumir o compromisso de lutar e evitar que, ao menos em nosso país, o horror do Holocausto jamais seja esquecido, não permitindo, assim, que movimentos neonazistas prosperem.

João Paulo Vani é Presidente da Academia Brasileira de Escritores, Mestre em Teoria Literária e Doutorando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Unesp de São José do Rio Preto.

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