Lula: Não tenho nenhuma razão para respeitar a decisão da Justiça



Lula: Não tenho nenhuma razão para respeitar a decisão da Justiça

Revista VEJA
O ex-presidente Lula anuncia candidatura à Presidência
Em ato do PT em São Paulo que lançou a sua pré-candidatura ao Planalto, petista diz que condenação pelo TRF4 foi uma decisão política combinada previamente
Por Estadão Conteúdo
25 jan 2018

Um dia depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) a doze anos e um mês de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não respeitará a decisão da Justiça. Em ato político da Executiva Nacional do PT, que aprovou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto na eleição deste ano, nesta quinta-feira em São Paulo, o petista conclamou os militantes a defendê-lo nas ruas e pregou o enfrentamento político.

Lula foi condenado por unanimidade pelos três desembargadores da 8ª Turma do TRF4 na análise de recurso apresentado pelo petista contra a decisão de primeira instância, do juiz Sergio Moro, que o havia sentenciado a nove anos e seis meses de prisão – na segunda instância, a pena ainda foi aumentada para doze anos e um mês de detenção em regime fechado.

O ex-presidente Lula anuncia candidatura à Presidência

Lula chora durante reunião da Executiva Nacional do PT, em São Paulo, que o lançou candidato à Presidência da República (Leonardo Benassatto/Reuters)

Recurso

O ex-presidente afirmou ainda que sua defesa vai recorrer “naquilo que for possível” da decisão do TRF4. “Eles tomaram uma decisão política com o objetivo de que eu não volte à Presidência”, disse. Segundo ele, a decisão unânime dos desembargadores foi para valorizar a categoria dos juízes. “Não consigo outra explicação, porque, se eles encontrassem um crime que cometi, eu não estaria aqui pedindo desculpas para vocês”, disse. Segundo ele, os desembargadores construíram um cartel para a decisão unânime. “Só ontem descobri que era um cartel, tinham que chamar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)” ironizou o petista.

O ex-presidente afirmou também que está com a consciência tranquila, diferentemente dos juízes, segundo ele. “Eles sabem que condenaram um inocente. Mas não sofri tanto, porque sempre acreditei que iria ser do jeito que foi. Obviamente que não estou feliz, mas duvido que alguns deles que me julgaram estão com consciência tranquila como estou hoje com vocês.”

Para Lula, o lançamento da sua candidatura não é só para disputar o pleito. “Vou para ganhar e governar”, disse. O petista afirmou ainda que não está sendo candidato para se proteger da Justiça. “Minha proteção é minha inocência. Vou ser candidato para governar decentemente este país”, discursou. Ao aceitar sua indicação como candidato, Lula ainda disse que estava criando o “Dia do Aceito”, em referência ao “Dia do Fico” de dom Pedro, em 9 de janeiro de 1822, quando o então príncipe regente rejeitou as ordens da Coroa para voltar a Portugal.

Lula também repetiu que vai à Etiópia na madrugada desta sexta-feira para discutir uma forma de acabar com a fome no continente africano. “Fico por lá por catorze horas e volto.”

Antes, o petista havia dito que a corrupção é uma “desgraça” e o que mais coloca sua honra “à flor da pele”. “A corrupção derruba qualquer político”, disse, citando que até aliados no começo desconfiam dos atos. “Não posso aceitar que um canalha me chame de ladrão”, completou.
Haddad

Durante evento, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou hoje que foi convocado por Lula para participar de um grupo que vai montar o plano de governo para um eventual terceiro mandato do petista. Segundo ele, o grupo começará a se reunir no dia 1º de fevereiro e vai aceitar sugestões de diversos grupos ligados ao partido até o dia 15 de março. “Vamos apresentar ao país o melhor plano de governo que pudemos fazer”, disse o ex-prefeito, que também foi ministro da Educação.

O ex-prefeito de São Paulo disse ainda que não teme os possíveis adversários de Lula na campanha. “Na centro-direita só temos mediocridade”, afirmou. Haddad é apontado como um dos nomes que podem substituir Lula na campanha, caso a candidatura do ex-presidente seja impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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