'Meu filho fez muitas mães chorarem. Hoje, a polícia me faz chorar', diz mãe de morto em confronto



'Meu filho fez muitas mães chorarem. Hoje, a polícia me faz chorar', diz mãe de morto em confronto

CORREIO Bahia
Foto: Reprodução/Nilson Marinho/CORREIO
Jefferson e primo comemoravam morte de PM

"Não posso colocar panos quentes. Tenho que ser realista e reconhecer que meu filho fez muitas mães chorarem. Hoje, a polícia me faz chorar", desabafou ao CORREIO a doméstica Leide Lima, 35 anos, mãe de Jeferson Cordeiro Barreto, 17, o 'Porcão' que foi morto na companhia do primo, Danilo Santos da Cruz, 22, durante um confronto com policiais da 52ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Lauro de Freitas) e das Rondas Especiais (Rondesp) na manhã desta segunda-feira (15) na cidade de Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador (RMS).

De acordo com a polícia, eles foram mortos durante abordagem da polícia quando participavam de uma festa para comemorar o 'aniversário de morte' do PM Urivélton de Jesus Santana, morto em janeiro do ano passado.

Urivélton estava com outro PM de folga, mas estavam trabalhando como seguranças para um evento. Segundo a polícia, os bandidos chegaram ao local em um Prisma branco e fizeram os disparos. Urivelton era lotado na 52ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Lauro de Freitas) e por cinco anos integrou o quadro funcional da corporação. 

A mãe de Jeferson contou ao CORREIO, enquanto liberava o corpo do filho para sepultamento no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML) na manhã desta terça-feira (16), que o filho e o sobrinho faziam parte da facção criminosa Comando da Paz (CP). Os dois moravam juntos há cerca de um ano. Ainda de acordo com a doméstica, Jeferson entrou para o mundo do crime aos 12 anos. Aos 16 anos, foi expulso de casa pela mãe depois que homens armados invadiram a residência onde ele morava na Rua Queira Deus.

"Eu estava recém-parida do meu filho de dois anos, com apenas oitos dias de cirurgia, quando os bandidos entraram na minha casa. Quase a minha cesariana ia parar na minha cabeça. Pedi para que ele seguisse sua vida longe de mim", conta a mãe.

Depois de ser expulso de casa, Jeferson passou a morar com o primo. De acordo com outro familiar que não quis se identificar, os dois eram conhecidos por serem violentos. "Eles eram perigosos. Atiravam mesmo, matavam. É de geração em geração, outras pessoas da família também eram do mundo do crime", afirma o familiar.

De acordo com a PM, os dois estariam comemorando um ano da morte do policial quando foram surpreendidos pela polícia. "Os dois estavam comemorando sim. Jeferson que teria cometido o crime", afirma o familiar.

Para a mãe de Jeferson, o filho estava ciente da vida que decidiu seguir. Ela conta que aconselhou Jeferson por várias vezes, mas que já tinha desistido de tirar o filho mais velho do mundo do crime. "A gente aconselha, mostra o caminho, cumpre o papel de mãe. Eu dizia: 'você só tem três caminhos: ser preso, matar ou morrer'. Ele morreu, agora vamos ter que seguir a vida. Ele sabia disso tudo", lamenta a mãe.

A PM apreendeu com a dupla uma pistola niquelada calibre 9mm com carregador alongado e capacidade para 40 munições, além de um carregador de tamanho padrão com capacidade para 15 munições; uma pistola calibre 9mm com dois carregadores (capacidade para 15 munições cada) e 22 munições de calibre 9mm.

Além das armas de fogo e munições, também foram apreendidos dois tabletes grandes de aproximadamente 1 kg de maconha cada; dois sacos grandes de maconha; 56 trouxas de maconha prontas para comercialização; uma pedra grande de crack; dois coletes balísticos de uma empresa de segurança; uma gandola (farda militar) camuflada; e uma vela de aniversário de comemoração de “um ano” na cor azul.

Os corpos de Jeferson e Danilo serão enterrados na tarde desta terça-feira (16) no cemitério municipal de Portão.

CORREIO Bahia

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