Temer se reúne com diretor-geral da PF de novo sem ministro da Justiça



30/01/2018 

Mal cheiro no Planalto...

Temer se reúne com diretor-geral da PF de novo sem ministro da Justiça

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É o segundo encontro de Temer com Segóvia, que é subordinado a Torquato Jardim. OAB critica encontros reservados.


Neste início de ano, o presidente Michel Temer teve pelo menos duas reuniões com o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia. Nas duas vezes, sem a presença do ministro da Justiça, a quem Segóvia é subordinado.

Nesta terça-feira (30), o presidente da OAB criticou os encontros reservados. O presidente Temer é investigado pela Polícia Federal.
O primeiro encontro foi no dia 15 de janeiro, no gabinete presidencial. Não estava na agenda oficial de Michel Temer. O subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, também participou.
A reunião só foi incluída na agenda do presidente depois que a GloboNews procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência.

A assessoria da Polícia Federal informou que não ia se manifestar sobre o encontro.
No mesmo dia à tarde, Fernando Segóvia disse que tratou com Temer de um projeto sobre Polícia Federal fardada, para reforçar o policiamento ostensivo nas fronteiras.
Esse encontro entre Temer e Segóvia ocorreu três dias antes de o presidente entregar as respostas às 50 perguntas feitas pela Polícia Federal no inquérito que apura se ele recebeu propina durante as negociações de um decreto sobre o setor de portos.

O segundo encontro foi na segunda-feira (29) também no Palácio do Planalto. Dessa vez estava na agenda, com a mesma justificativa: discutir o projeto da Polícia Federal fardada.
O encontro de segunda também precede uma outra importante decisão da Polícia Federal. O delegado Cleyber Malta Lopes, que preside a investigação sobre o decreto dos portos, terá que decidir se Temer cometeu algum crime.
O interrogatório do presidente foi uma das últimas etapas do inquérito.
E foi durante essa investigação que Segóvia tomou outra decisão. No fim de 2017, ele trocou o comando da Delegacia de Santos. O porto de Santos é justamente onde atua a Rodrimar, empresa que Temer é suspeito de ter favorecido.
Investigações mostraram que o ex-assessor especial de Temer, Rodrigo Rocha Loures, defendeu interesses da Rodrimar. Loures ficou conhecido ao receber da J&F uma mala de propina de R$ 500 mil.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Lamachia, disse que o ministro da Justiça, Torquato Jardim, deveria ter participado dos dois encontros no Palácio do Planalto, já que é o chefe direto do diretor da Polícia Federal. Ele criticou esses encontros reservados.
“As liturgias de cargos como o do presidente da República, como o do diretor-geral da Polícia Federal, são importantíssimas frente à própria sociedade, porque eles são agentes públicos, eles são agentes políticos, notadamente num momento como este onde o presidente da República é investigado a partir da própria Polícia Federal. E a presença do diretor-geral da Polícia Federal numa audiência reservada com o presidente da República traz para a sociedade uma ideia que certamente não é a que todos nós gostaríamos de ter, de independência, de transparência, de isenção. Isto não é bom notadamente para as instituições”, disse Lamachia.

A defesa do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures voltou a negar qualquer prática de crime.
A assessoria da Polícia Federal declarou que a indicação do nome do novo responsável pela delegacia de Santos foi da superintendência em São Paulo - e não do diretor-geral.
A Rodrimar declarou que, em 74 anos de história, nunca recebeu qualquer privilégio do poder público.
O ministério da Justiça e o Palácio do Planalto não quiseram comentar.


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