Barroso afirma nos Estados Unidos não ver risco de novo golpe militar no Brasil

Barroso afirma nos Estados Unidos não ver risco de novo golpe militar no Brasil
Por G1, Brasília
O ministro Luís Roberto Barroso durante sessão no STF (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)
O ministro Luís Roberto Barroso durante sessão no STF (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

Durante palestra nos EUA, Barroso também falou sobre corrupção que, segundo o ministro, se tornou 'sistêmica' no Brasil, por envolver 'ações profissionais' de coleta e divisão de dinheiro.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira (16) não ver risco de um novo golpe militar no Brasil. Em evento, na Escola de Direito de Harvard, nos Estados Unidos, ele disse que não existe alternativa melhor do que a democracia.

"Eu fui um militante contra o governo dos militares. Não tem razão para termos isso novamente. Eles pagaram um preço muito alto por terem ficar no poder por tanto tempo e eu tenho dúvidas se eles gostariam de ter isso novamente. Nós aprendemos a lição", disse o ministro, respondendo a uma pergunta da plateia.

"O que podemos sentir é que os militares no Brasil querem mudança, querem um país melhor, mas acredito que não há risco de um golpe militar no Brasil. Nós aprendemos a lição, eles aprenderam a lição. O mundo e o Brasil tentaram outras formas de governo e não existe alternativa melhor do que a democracia", completou Barroso.

O ministro falou durante um congresso anual organizado por estudantes brasileiros que conta também com a participação da procuradora-geral da República Raquel Dodge e dos juízes Sérgio Moro e Marcelo Bretas, responsáveis pela Operação Lava Jato na primeira instância no Paraná e no Rio de Janeiro.

Combate à corrupção

Na palestra, Barroso reconheceu o "momento dramático" pelo qual passa o país, em referência aos escândalos de corrupção, mas ressalvou que "o movimento da democracia é bom", relembrando a conquista da estabilidade financeira na década de 90 e do fortalecimento das instituições a partir da Constituição de 1988.


Em relação à corrupção, disse que no Brasil ela se tornou "sistêmica", por envolver "ações profissionais em coletar e dividir o dinheiro". Mas celebrou o fato de estar sendo exposta e combatida. "Nenhum outro país no mundo teve coragem de expor um problema como esse e lutar para acabar com ele", disse. "O que mudou é que a população não tolera mais a corrupção", afirmou em seguida.

G1

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