Oficial da PM investigado após morte de subordinada assume nova chefia



Oficial da PM investigado após morte de subordinada assume nova chefia
METRÓPOLES
MIRELLE PINHEIRO  20/04/2018

Reprodução
Tenente-coronel Márcio Barbosa da Silva estava afastado até essa quinta (19/4), quando foi nomeado para a Seção de Recrutamento e Seleção

Uma edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) dessa quinta-feira (19/4) trouxe a nomeação do tenente-coronel Márcio Barbosa da Silva. O oficial estava afastado das funções de comando devido a uma investigação que apura se ele teria induzido uma subordinada ao suicídio.
Agora, o militar assume a chefia da Seção de Recrutamento e Seleção. Por ele, passarão todos os novos policiais que ingressarem na corporação.
De acordo com PMs ouvidos pelo Metrópoles, a tenente que tirou a própria vida, no Guará, não teria sido a única militar alvo de assédio moral por parte de Márcio Barbosa da Silva. Mais três oficiais subordinadas a ele foram afastadas recentemente em virtude de problemas psicológicos. A reportagem preservou os nomes e os detalhes dos casos, em respeito às vítimas e aos parentes.
Reprodução/DODF
Outras denúncias foram enviadas à Promotoria de Justiça Militar do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e estão em fase de apuração. O tenente-coronel era subcomandante administrativo nas regiões do Guará, Estrutural, Lago Sul e Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).
O afastamento de Silva se deu a pedido do encarregado do Inquérito Policial Militar (IPM), em trâmite no Departamento de Controle e Correição. Quando a primeira reportagem foi publicada, a PMDF confirmou a decisão e ressaltou que afastar chefes em casos de suicídios de subordinados era procedimento “rotineiro”.
“O referido oficial não está preso. Ele foi afastado provisoriamente das funções, enquanto perdurarem as investigações. A instituição não poderá se manifestar com mais detalhes, para preservar o sigilo das apurações“, informou a corporação em nota.
Procurada novamente nesta sexta (20) para explicar detalhes da nomeação do tenente-coronel e se as diligências foram concluídas, a PMDF não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Sobre as denúncias, o tenente-coronel Silva afirmou não poder comentar apurações em segredo de Justiça, mas ressaltou “trabalhar segundo a legislação” e que “os subordinados precisam apenas cumprir o ordenamento”.
Outras denúncias
Depois de o Metrópoles revelar o caso, PMs sob o comando de Silva procuraram a reportagem para denunciar supostos abusos do oficial. A cabo Maria* (veja vídeo abaixo) relatou que sofria de depressão e tentou tirar a própria vida após uma discussão com o oficial.
Já o sargento Marcos* denunciou Silva à Promotoria de Justiça Militar do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) depois de sofrer intimidações por parte do superior.

A mulher, que pediu para não ser identificada, temendo represálias, é policial há 15 anos. Segundo ela, as perseguições tiveram início desde o curso de formação, quando Silva era um dos instrutores. Em 2015, a PM voltou a encontrar o tenente-coronel e se tornou subordinada dele.
“Sabemos que somos militares. Temos de seguir regras e adotamos uma postura diferente da dos civis. Mas ele [Silva] escolhe pessoas para perseguir. No meu caso, me humilhava e diminuía o meu trabalho”, contou a policial.
De acordo com Maria, a situação chegou ao limite quando ela foi entregar o atestado do psiquiatra no batalhão. A mulher passou a sofrer depressão e teve de ser afastada da função.
O sargento Marcos, que também pediu para ser identificado com nome fictício, disse ter sofrido perseguição e retaliações por parte do tenente-coronel Márcio Barbosa da Silva. Após uma série de constrangimentos, o militar entrou com denúncia contra o oficial em maio do ano passado. Ele relata que os problemas começaram quando ele trabalhava no 4º Batalhão, em 2016.
No mesmo ano, Marcos fez uma representação ao comando da corporação, denunciando as más condições do posto policial da Vila Olímpica da Estrutural. Ele alegou que, quando chovia, entrava água na unidade, e apenas um policial era escalado para ficar no local.
À época, Silva teria alegado que o sargento quebrou a hierarquia e abriu sindicância para apurar se as informações eram verdadeiras. “Ficou provado que falei a verdade, e o processo foi arquivado. Mas, depois disso, o tenente-coronel passou a abrir diversas apurações contra mim”, disse Marcos.
Ainda segundo o sargento, quando o oficial soube que ele tinha apresentado denúncia à Promotoria de Justiça Militar do MPDFT, a situação piorou. “Ele pegou uma publicação que fiz no meu Facebook e abriu outra sindicância. Me ameaçou, dizendo que, se eu recorresse, as coisas iriam piorar.”
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