PM monta operação de guerra para proteger prédio da PF, em Curitiba



PM monta operação de guerra para proteger prédio da PF, em Curitiba

LARISSA RODRIGUES

08/04/2018 METRÓPOLES
Rafaela Felicciano/Metrópoles

O edifício onde está preso o ex-presidente Lula amanheceu cercado por 19 viaturas da corporação paranaense

Enviada especial a Curitiba (PR) – A Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), amanheceu tomada por dezenas de homens da Polícia Militar paranaense. Com o temor de uma possível invasão por parte da militância petista, o comando da PM do Estado destacou 19 viaturas, sendo quatro da tropa de choque.

O reforço ocorreu porque mais de 10 ônibus com militantes petistas chegaram à região na manhã deste domingo (8/4). Segundo os próprios manifestantes, outros 40 estariam a caminho. O grupo levantou acampamento a cerca de 200 metros de onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está detido. A Prefeitura da cidade negocia para transferi-los para outro lugar.

A mobilização intenta evitar as cenas de violência vistas no local na noite de sábado (7/4). Pouco depois das 22h, uma confusão aconteceu enquanto o ex-presidente dava entrada no edifício para o início do cumprimento de sua pena, conforme determinação do juiz Sérgio Moro.

Segundo a Polícia Militar curitibana, apoiadores do petista teriam forçado os portões da sede da PF, levando os soldados a reagir. A tropa de choque, então, disparou contra a multidão, usando munição não letal – balas de borracha. Várias pessoas foram atingidas e tiveram ferimentos. No momento da ocorrência, cerca de 400 apoiadores do PT estavam no local. Além da tropa de choque, homens do Batalhão de Trânsito também atuavam na separação dos partidários do ex-presidente Lula e seus opositores.

“Não houve força excessiva. Os manifestantes jogaram uma primeira bomba e, então, a PF jogou uma bomba em resposta. O choque respondeu”, informou o tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, do 20º Batalhão, responsável pelo policiamento na região. Ele, contudo, admite que as polícias estavam desorganizadas, o que contribuiu para a situação.

Para dispersar a multidão, a PM também fez uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Segundo o Corpo de Bombeiros, nove pessoas, incluindo crianças, foram atendidas com ferimentos ou passando mal devido à inalação de gás. Três acabaram socorridas à unidades hospitalares da região; uma, em estado grave.

Os manifestantes negam ter provocado o tumulto. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi a Curitiba acompanhar a apresentação do ex-presidente à PF, foi para a rua e ficou ao lado da militância, a fim de evitar mais violência.

Aos poucos, após a confusão, apoiadores e opositores a Lula deixaram o local. Ainda na noite de sábado, uma ordem judicial foi expedida vetando manifestações nas imediações da Superintendência da PF de Curitiba.

Acampamento e almoço

No fim da manhã deste domingo, o movimento formado por integrantes do Movimento Sem Terra (MST), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de movimentos sociais preparava um almoço coletivo. No cardápio havia macarrão, arroz, feijão, batata doce, abóbora, salada e carne.

Os militantes prometem fazer “vigília permanente” nos arredores da Superintendência da PF até o ex-presidente ser solto. Para manter a segurança no local, a PM do Estado não está permitindo que pessoas desautorizadas fiquem a menos de 100 metros do edifício.

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