Bolsonaro dispara dados falsos sobre economia, saúde e educação



Bolsonaro dispara dados falsos sobre economia, saúde e educação

DCM
Da Exame:
No dia 11 de maio, o presidenciável falou à rádio Super Notícia, de Belo Horizonte, e destacou assuntos como a crise dos venezuelanos em Roraima, o comprometimento do Orçamento federal com despesas obrigatórias e os gastos com a dívida pública.O Truco – projeto de checagem de fatos da Agência Pública – verificou oito frases da entrevista de Bolsonaro para a rádio. O pré-candidato havia sido checado em abril de 2017. Além dele, outros oito políticos que pretendem disputar a Presidência já foram verificados.
(...)
“[Em Roraima, com a chegada de refugiados venezuelanos], a violência multiplicou-se por quatro.”
Falso.
As solicitações de refúgio feitas por venezuelanos ao governo federal cresceram 2.073% entre 2015 e 2017, de acordo com dados do Ministério da Justiça. Nesse mesmo período agravou-se a crise econômica e política na Venezuela. Os números mais recentes disponíveis sobre criminalidade na região, no entanto, mostram que a quantidade de crimes variou muito pouco entre 2014 e 2016. Nenhum desses indicadores teve seu número quadruplicado. A afirmação de Jair Bolsonaro é falsa.
(…)
“A questão [de saúde] bucal é responsável por 30% dos prematuros.”
Falso.
Não é a primeira vez que o pré-candidato cita dados que associam saúde bucal a partos prematuros. Em entrevista coletiva em Manaus, Bolsonaro também apresentou como proposta de campanha o investimento em odontologia na saúde pré-natal para diminuir o número de prematuros, a mortalidade infantil e os altos custos com neonatal. De acordo com pesquisas e especialistas, não é possível estabelecer as exatas causas de prematuridade, e a saúde bucal não está nem entre os principais fatores de risco. Por isso, a afirmação foi considerada falsa.
(…)
“Hoje em dia nós temos o pior índice de educação do Brasil. Na penúltima prova do Pisa no Brasil nós ficamos nos últimos lugares entre 64 países.”
Falso.
É verdade que o Brasil ficou entre os últimos colocados na prova do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) nos dois últimos anos da avaliação (2015 e 2012). Porém, o país teve melhora de seu desempenho desde a primeira edição do ranking e também mostrou elevação em outros índices de educação nos últimos anos. Por isso, a afirmação do pré-candidato foi considerada falsa.
(…)
“Hoje em dia, praticamente metade do que se arrecada é para juros e rolagem de dívida.”
Falso.
À primeira vista, a afirmação parece verdadeira. Isso porque, no ano passado, o gasto com a dívida pública foi de R$ 654 bilhões, de acordo com o Plano Anual de Financiamento do Tesouro Nacional. Como a arrecadação federal foi de aproximadamente R$ 1,34 trilhão em 2017, o gasto com a dívida seria equivalente a 48% da arrecadação total. No entanto, esses recursos empregados na manutenção da dívida pública não são originários da arrecadação de impostos do governo federal. A maior parte dos recursos destinados para o pagamento da dívida é levantada pelo Tesouro Nacional por meio de operações de refinanciamento ou emissão de novos títulos, ou seja, em operações com os chamados títulos mobiliários.
(…)
“A média são 350 [refugiados da Venezuela] por dia que entram [em Roraima].”
Exagerado.
A afirmação de Bolsonaro é exagerada. A assessoria de imprensa do parlamentar não forneceu a fonte dos dados, mas os números se aproximam daqueles citados em uma notícia da Câmara dos Deputados publicada em 16 de fevereiro. Entre 1º e 25 de janeiro, 354,6 estrangeiros entraram por dia em Roraima somente pelo posto da Polícia Federal instalado em Pacaraima. Contudo, a reportagem não informa quantas pessoas voltaram para a Venezuela nesse período.
(…)
“[Apesar de Roraima ser] um estado riquíssimo nas suas riquezas minerais, biodiversidade e terras agricultáveis, é um estado que nada produz, dada a questão indigenista e ambiental.”
Falso.
O presidenciável Jair Bolsonaro costuma criticar as exigências para licenciamento ambiental feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e também as restrições que existem para exploração de terras indígenas, algumas delas previstas na Constituição. Para sustentar a tese de de que essas limitações afetam o desenvolvimento de algumas regiões do país, ele afirmou que, por conta desses impedimentos, o estado de Roraima nada produz. Os dados mostram que a frase de Bolsonaro é falsa.
DCM

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