CAMINHÕES PARADOS DEIXAM POSTOS SEM ETANOL E AMEAÇAM COMIDA, ÔNIBUS E AVIÃO



CAMINHÕES PARADOS DEIXAM POSTOS SEM ETANOL E AMEAÇAM COMIDA, ÔNIBUS E AVIÃO
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Os caminhoneiros protestam contra os recentes aumentos nos preços dos combustíveis e pedem ao governo a redução de impostos

A greve dos caminhoneiros autônomos entra em seu terceiro dia e tem impactos na oferta de produtos e serviços comuns no dia a dia dos brasileiros, como alimentos, combustíveis, cartas e transporte público. Já falta etanol em postos de combustíveis.
Os caminhoneiros protestam contra os recentes aumentos nos preços dos combustíveis e pedem ao governo a redução de impostos. 

Veja mais abaixo alguns setores e serviços afetados.

Postos começam a ficar sem combustível
Com a paralisação, caminhões-tanque não conseguem chegar aos postos para repor os estoques. Resultado: começa a faltar combustível. 
No Rio, por exemplo, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis não sabe quantos postos foram afetados, mas afirma que em alguns pontos já não é mais possível abastecer os veículos. Este é o caso do posto Shell próximo à Linha Amarela, que liga as zonas norte e oeste da cidade, onde um cartaz informa: "Sem combustível. Greve dos caminhoneiros".
A reportagem encontrou um posto na região oeste de São Paulo sem etanol na manhã desta quarta (23). Segundo a gerente, que preferiu não se identificar, o combustível acabou durante a madrugada, e não há previsão de chegada. "Com os caminhoneiros em greve, não chegou mais combustível. Gasolina ainda tem, mas pode acabar. Estamos perdendo venda. Não tem produto", disse.
O taxista José Marlúcio Torres, 66, disse que havia procurado etanol em três postos, mas sem sucesso. "Eu abasteço com álcool. Não dá para abastecer com gasolina. Está um absurdo. Vou tentar encontrar álcool em mais um ou dois postos. Se não conseguir, vou para casa."
Em cidades do Vale do Paraíba (SP), como Jacareí, São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba, e do Paraná, como Apuracana e Arapongas, também falta etanol e gasolina nas bombas em alguns bairros. 
A possibilidade de faltar combustíveis fez motoristas correrem aos postos para encher os tanques e garantir o deslocamento da semana, causando filas em alguns pontos.

Correios suspendem algumas entregas

Devido ao "forte impacto" dos bloqueios nas rodovias, os Correios anunciaram nesta quarta-feira (23) a suspensão das entregas de encomendas com dia e hora marcados: as modalidades Sedex 10, 12 e Hoje.
Além disso, o prazo de entrega de cartas e encomendas pelas modalidades Sedex e PAC vai aumentar em alguns dias enquanto durarem os efeitos da greve.

Transporte público por ônibus é reduzido

A falta de combustíveis afeta também o transporte público. Muitas das empresas que realizam o serviço têm postos próprios, mas dizem que não estão conseguindo renovar seu estoque.
No Rio, a Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro) afirmou que o número de veículos em algumas linhas de ônibus foi reduzido e que existe o risco de paralisação total.
O mesmo acontece na região metropolitana de Recife (PE), onde a quantidade de ônibus nas ruas foi reduzida porque as companhias pararam de receber diesel.
Em Jacareí, a empresa Jacareí Transporte Urbano colocou na rua, em pleno dia útil, a mesma frota de ônibus que costuma ser usada aos domingos, o que gerou filas em diversos pontos de embarque. Os caminhões que abasteceriam o posto da empresa estão parados na rodovia Presidente Dutra.

Podem faltar frutas, verduras e legumes

Em São Paulo, a distribuição de hortifrúti começa a ser prejudicada. A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), terceiro maior centro atacadista de alimentos do mundo, informou que alimentos como mamão, melão, batata, manga e melancia estão chegando em menor quantidade porque os caminhões estão parados nas estradas.
Para evitar o desperdício, alguns comerciantes pedem que os caminhões nem sejam carregados nas cidades de origem. Em Janaúba (MG), caminhoneiros resolveram dar aos moradores alimentos que estavam começando a estragar.
Em Curitiba (PR), algumas feiras de rua organizadas pela prefeitura não vão funcionar nestas quarta e quinta-feira, porque frutas e verduras de fora não estão chegando à cidade. Mercadões e varejões da prefeitura, os chamados Sacolões da Família, também enfrentam falta de alimentos como mandioca, beterraba, goiaba e cebola. Os problemas no abastecimento também afetam Maringá e Londrina, no norte do estado.

Indústria de carnes paralisa unidades

A produção de carnes de frango e suína foi paralisada em diversas unidades pelo país porque os animais não chegam às fábricas, e as fábricas não conseguem levar a carne até o consumidor. Estão fechadas, por exemplo, unidades em Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás e Rio Grande do Sul.
Na Aurora Alimentos, a paralisação total de sete unidades de processamento de aves e oito de suínos levou 28 mil trabalhadores a serem dispensados temporariamente. Segundo a empresa, a sua capacidade de estocagem de produtos, de 50 mil toneladas, já foi atingida. 

Aeroporto economiza querosene

Em Brasília, a Inframerica, concessionária que administra o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, decidiu economizar o combustível usado pelas aeronaves porque os caminhões que o transportam estão parados no entorno do Distrito Federal. A empresa não informa como se dá essa economia de querosene, mas diz que a segurança dos voos não é comprometida. 

Fábricas de carros param

As linhas de produção de veículos da General Motors e da Ford também foram prejudicadas pelo movimento dos caminhoneiros. Por falta de componentes para montagem de carros, há fábricas paradas em Gravataí (RS), São Caetano do Sul (SP), Camaçari (BA) e Taubaté (SP).

Transporte de soja parado

No Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, é grande a dificuldade de transportar o grão. De acordo com o presidente da Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), Antônio Galvan, o comércio está praticamente parado. "Há cerca de oito milhões de toneladas de soja retidos nos armazéns dos produtores rurais e não existe espaço para guardar o milho que começou a ser colhido", diz.  

Fonte: Reportagem de Thâmara Kaoru, em São Paulo, e Marcela Lemos, no Rio, e agências de notícias.
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