Filho de Vladimir Herzog pede a ministro que solicite aos EUA 'liberação completa' de registros da CIA

Filho de Vladimir Herzog pede a ministro que solicite aos EUA 'liberação completa' de registros da CIA
Por Guilherme Mazui, G1, Brasília

Ivo Herzog fez pedido a Aloysio Nunes (Relações Exteriores). Memorando da CIA diz que ex-presidente Ernesto Geisel sabia e autorizou em 1974 execução de opositores da ditadura militar.


O presidente do conselho do Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado na ditadura militar, enviou carta nesta sexta-feira (11) ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, na qual pede que o governo federal solicite aos EUA a “liberação completa” dos registros da CIA (agência de inteligência norte-americana) sobre operações de tortura e morte de brasileiros.


A carta com data desta sexta-feira (11) foi enviada ao ministro depois que veio a público um memorando da CIA, segundo o qual o general Ernesto Geisel, presidente do Brasil entre 1974 e 1979, sabia e autorizou execução de opositores durante a ditadura militar.

“A Família Herzog vem a vossa senhora solicitar manifestação ao Ministério de Estado das Relações Exteriores solicitando ao Governo Norte Americano a liberação completa dos registros realizados pela Agência Central de Inteligência (CIA) que documentam a participação de agentes do Estado Brasileiro em operações para torturarem ou assassinarem cidadãos brasileiros”, diz trecho da carta.


Vladimir Herzog foi torturado e morto em uma cela do DOI-Codi em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. Na época, o regime militar argumentou que Herzog tinha se suicidado.


Procurado pelo G1, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que recebeu a carta e que "examina o encaminhamento da solicitação nela contida".


Na carta, Ivo destacou a descoberta de "novos fatos" sobre o envolvimento do Estado na "morte e tortura de seus opositores", durante a gestão de Geisel. Ivo ainda lembrou que documentos que as Forças Armadas no Brasil afirmaram terem sido destruídos “foram preservados por outra nação”.


“O senhor, assim como a nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira. Uma nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam”, diz Ivo Herzog a Aloysio Nunes na carta.


Levantamento do G1 com base em registros da comissão mostra que 89 pessoas morreram ou desapareceram após 1º de abril de 1974, data a partir da qual, segundo o documento da CIA, Geisel autorizou a execução de opositores.

G1

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