As armadilhas da diabetes



As armadilhas da diabetes

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Crédito: Divulgação

O número de mortes pela doença subiu 12% no Brasil. Apesar dos avanços em tecnologia e medicação, ainda falta informação entre médicos e pacientes

André Sollitto, de Orlando (EUA)  *29/06/18

Cerca de 425 milhões de pessoas no mundo sofrem de diabetes. Em torno de 10% apresentam o tipo 1, uma doença auto-imune. Nela, o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina, hormônio que possibilita a entrada, nas células, do açúcar presente no sangue. A maioria dfa população apresenta o tipo 2, relacionado ao acúmulo de peso e caracterizado pela deficiência na produção ou aproveitamento da substância. Na quarta-feira 27, o Ministério da Saúde divulgou um aumento de 12% no número de mortes pela doença entre 2010 e 2016. De 54 mil, passaram a 61 mil. Na origem do crescimento está a desinformação de pacientes e médicos e uma estrutura pública de tendimento longe do ideal.
O diagnóstico preciso do quadro foi feito por especialistas brasileiros que participaram do encontro anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), realizado em Orlando (EUA) e encerrado na última semana. Na opinião do endocrinologista Levimar Rocha Andrade, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, existe entre os profissionais de saúde resistência em prescrever insulina a portadores do tipo 2 assim que a doença se instala. “Antigamente ela era usada como último recurso. Isso mudou”, diz. “Mas os médicos receiam perder o paciente.” Introduzir um pouco do hormônio desde o começo do tratamento preserva a a função original das células. Porém, nem sempre os benefícios são visíveis de imediato, ao contrário do que ocorre com efeitos colaterais como a queda repentina da taxa de açúcar no sangue, a hipoglicemia. “O paciente não vê sentido”, diz a médica Solange Travassos, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Existem opções que driblam a consequência. Entre elas as drogas Toujeo, fabricada pela Sanofi, e a Tresiba, da Novo Nordisk. No encontro da associação americana, foram divulgados estudos demonstrando que as medicações reduzem o risco de hipoglicemia no início do tratamento. Porém, elas custam caro (cerca de R$ 150 por 3 ml) e não estão disponíveis no SUS. Também foram apresentadas combinações de remédios mais eficazes para tratar de condições associadas, como a obesidade, e diversos dispositivos que ajudam no monitoramento dos indicadores da doença pelos próprios pacientes.
O entendimento dos especialistas é de que ao mesmo tempo em que a ciência avança, permanece uma lacuna. “A expectativa de ver novas drogas e tecnologias é grande, mas não podemos nos esquecer do básico”, afirma Levimar Andrade. Por básico inclui-se tempo de consulta suficiente para informar o paciente sobre de que maneira a alimentação e exercícios físicos afetam o manejo da doença. Na rede pública o problema é mais grave, com consultas que, na melhor das hipóteses, duram quinze minutos.
Erika Parente, endocrinologista (Crédito:Divulgação)
“A alimentação é metade do tratamento. A outra é formada pela prática de exercícios e uso de remédios” Erika Parente, endocrinologista
Mudança de hábitoSem a compreensão não como a enfermidade ser controlada, uma vez que o excesso de gordura e a pouca atividade física estão não só na sua origem como também na sua permanência. Nenhum medicamento sozinho impede sua progressão sem que esteja combinado a uma mudança real de hábitos que envolve a prática de exercícios e a troca de uma alimentação rica em gordura e açúcar por outra, baseada no consumo de frutas, verduras e alimentos integrais. “A alimentação é metade do tratamento. A outra é formada pela prática de exercícios e de medicação”, diz a endrocrinologista Erika Parente, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
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