Bem vestidos, assaltantes invadem loja e aterrorizam funcionários no Distrito Federal



Bem vestidos, assaltantes invadem loja e aterrorizam funcionários no Distrito Federal
Mariana Machado - 18/07/2018
CORREIO BRAZILIENSE


Depósito onde os funcionários ficaram trancados. Ação dos criminosos levou cerca de 10 minutos(foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press )

Funcionários de distribuidora de bebidas em Taguatinga foram feitos reféns por assaltantes duas vezes em 15 dias. O mesmo aconteceu em fábrica de gelo no SOF Su
Apesar de os últimos números apresentados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal mostrarem uma queda nas ocorrências registradas para assalto a comércio, em 15 dias, dois pontos comerciais foram alvo dos assaltantes. Em um deles, uma distribuidora de bebidas em Taguatinga, os criminosos estiveram duas vezes. Ações rápidas, de menos de 10 minutos, foram suficientes para causar prejuízos de milhares de reais e aterrorizar os funcionários, feitos reféns.

O crime mais recente aconteceu ontem (17/7), quando três homens fizeram reféns quatro funcionários, um cliente e um inquilino da residência que fica acima da loja. A Polícia Militar foi acionada e chegou ao local no momento em que os criminosos fugiam. Os três foram capturados e levados para a 12ª Delegacia de Polícia (Taguantinga Centro). Havia três mandados de prisão abertos contra um dos assaltantes, apontado como chefe do grupo.

Segundo uma funcionária que não quis se identificar, ela estava no caixa do estabelecimento quando os homens, usando bonés e carregando mochilas se aproximaram. “Eles estavam bem vestidos, usando roupas de marca. Chegaram dando bom dia, perguntando se estava tudo bem. Depois mostraram a arma e anunciaram o assalto.” Ela relatou que um dos assaltantes queria o cofre e perguntou pelo dono da loja. Ela disse que não havia cofre e que o dono havia saído, então eles mandaram que a mulher fosse para os fundos.

O proprietário, na realidade, estava na casa que fica nos fundos, com as duas filhas, uma menina de 15 anos e uma bebê de 6 meses. Sem que os bandidos vissem, ela avisou o patrão e disse para ele se esconder com as garotas. “Ele se trancou em um quarto, bloqueou a porta e elas ficaram em silêncio”, narrou. De lá, ele conseguiu acionar um policial militar.


Escritório foi revirado pelos bandidos     (foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press ) 
Em seguida, ela conta que os reféns foram trancados no depósito. O inquilino e um funcionário foram forçados a ajudar os três criminosos a arrombar a porta do escritório e levar o cofre até um carro que estava com os bandidos. O veículo era furtado e estava com a placa clonada. A ação dos bandidos foi rápida e, em 10 minutos, eles já estavam prontos para ir embora.

Contudo, no momento da fuga, a PM chegou ao local, conseguiu prender os três e libertar os reféns. Com os criminosos, foram apreendidos uma pistola calibre 380, 10 munições, uma arma falsa, além de objetos e R$ 500, roubados das vítimas. Todos os autores são maiores de idade e foram levados para a carceragem da Polícia Civil, onde devem aguardar audiência de custódia.


Celulares e armas apreendidos com os bandidos. Uma das armas era falsa.(foto: PMDF/Divulgação ) 
A proprietária da loja, que também não quis se identificar, por receio de represálias, disse não saber o que fazer. “Agora, acho que vou colocar grades, mas não sei. Se fosse apenas furto no caixa, tudo bem, mas o que eles estão fazendo, trancando meus funcionários, é aterrorizante”, disse. A ocorrência foi registrada na 12ª DP, por se tratar de flagrante, mas será investigada pela 17ª DP, responsável pela área. 

Esta não é a primeira vez que a loja foi assaltada. Há duas semanas, a mesma funcionária foi feita de refém. “Como ontem, o episódio também foi muito rápido. Ficamos trancados por cerca de sete minutos, tempo suficiente para eles nos causarem um prejuízo de R$ 6 mil a R$ 7 mil reais”, relembra. Na ocasião, ela, um colega e um cliente foram trancados no banheiro.

O assalto ocorreu por volta de meia-noite, quando a loja estava sendo fechada. Muitos cigarros e garrafas de uísque foram levadas. Nos dois casos, câmeras de segurança da loja registraram os crimes. As imagens agora estão com a delegacia para auxiliar nas investigações.


Reféns em fábrica de gelo


No último domingo (15/7), uma fábrica de gelo no Setor de Oficinas Sul também foi alvo de ladrões, por volta das 15h. Dois homens pularam os portões ,  quando foram notados por um empregado, disseram que queriam comprar gelo. Como a história não convenceu, eles sacaram armas e anunciaram assalto.

A ação durou cerca de uma hora e meia. Três funcionários foram feitos reféns e obrigados a carregar a traseira de um dos carros da empresa com computadores e televisões. A proprietária, que preferiu não se identificar, está apavorada. “Este ano, nós já fomos furtados duas vezes, mas algo assim nunca tinha acontecido”, reclama.

Segundo ela, o prejuízo está avaliado em R$ 50 mil, mais o carro da empresa, levado pelos bandidos na fuga. “Fica uma sensação de impotência. Eles entraram aqui querendo meu filho, que trabalha no setor financeiro, mas por sorte ele já tinha ido embora”, relatou.

Os homens reviraram o estabelecimento à procura de um cofre. Como não localizaram, levaram R$ 5 mil em espécie guardado em um escritório, além das câmeras de segurança e o equipamento que guarda as imagens. A ocorrência registrada pela 1ª Delegacia de Polícia menciona que um dos criminosos teria dito se tratar de um serviço encomendado. 

Após a ação, os bandidos trancaram os funcionários em uma sala, ordenaram que ninguém saísse por vinte minutos, e fugiram. Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia sido preso. O caso é investigado pela 8ª DP (SIA).

Estatísticas mostram redução 


Os casos, tão próximos um do outro, vão de encontro ao último balanço da Secretaria de Segurança Pública. Dados apresentados no mês passado indicam que houve uma redução de 9,7% nos roubos a comércio no Distrito Federal no primeiro semestre deste ano comparado ao mesmo período de 2017. No ano passado, foram registradas 1.083 ocorrências deste tipo de crime, contra 978 ocorrências em 2018.

A proprietária da fábrica de gelo ainda está assustada. “Estamos vendo o que fazer, talvez contratar segurança armada, investir em monitoramento por satélite. Estou aqui há 22 anos, nunca me senti assim”, declarou.

CORREIO BRAZILIENSE

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