Cresce desinteresse dos jovens pela carteira de habilitação


Cresce desinteresse dos jovens pela carteira de habilitação
CARLOS SANTIAGO 24/09/2018   JJ


Um dos grandes desejos de quem está prestes a completar 18 anos é cursar uma auto-escola, passar pelos testes necessários e obter a sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Mas também há uma parcela dos jovens para quem a independência vem justamente de outra maneira: abrindo mão de ter um carro próprio. Números do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) dão conta que a emissão de CNH para condutores de 18 a 21 anos caiu 20,61% em três anos. Foram 939 mil documentos em 2017, ante 1,2 milhão em 2014.

Em Jundiaí, o número de primeiras habilitações emitidas para condutores na mesma faixa etária se mantém estável: foram 3.060 em 2016, 3.018 em 2017 e 1.336 até junho deste ano. As facilidades proporcionadas pela tecnologia estão tornando rotineira a opção pelos aplicativos de transporte – embora esse não seja o único meio para quem optou por não dirigir.

Como são os casos de Bruno Gut, de 20 anos; e de Laura Stoppa, de 25. Bruno conta alguns dos motivos que o levaram a não fazer questão da CNH. “Exigia um tempo que eu não tinha e era um investimento alto. Além disso, ter um carro, depois, não me agregaria em nada”, comenta.

Bruno lembra outros fatores que o fizeram esquecer da habilitação. “Estacionar em Jundiaí está difícil e ainda precisaria bancar esse combustível caro. Além disso, a paciência no trânsito é algo que não tenho. Evito todos esses problemas não tendo carro”, prossegue, contando que usa muito carona, vai a pé para vários lugares – ou, quando precisa, chama um carro pelo aplicativo.

Meios alternativos

A história da jornalista e sexóloga Laura Stoppa é um pouco diferente – mas ela também afirma que está muito bem sem carro. Laura até tirou a CNH (aos 20 anos), mas sequer começou a dirigir logo em seguida. “De verdade, nunca cheguei a ter prática de volante e jamais gostei de dirigir”, desabafa. “Ando muito a pé, faço muita coisa perto de casa, trabalho bastante em casa. Quando preciso, chamo um carro por um aplicativo”, explica ela.


O motorista de um aplicativo, Caio Ribeiro, conta que a maior parte do público usuário é composto de mulheres. “Chega a uns 90%”, calcula. Outra tática de quem não tem carro são as bikes. Uma pesquisa recente divulgada pelo Cebrap aponta que ciclistas, além da economia, têm 90 minutos livres a mais por semana, são menos estressados e geram menos impacto ao meio ambiente.

JJ Modulinho

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.