INSS leva mais de três meses para liberar pensões

INSS leva mais de três meses para liberar pensões

MIX VALE


esde a morte do marido, em 25 de julho deste ano, a professora Rita de Cássia Ramos Martins, de 56 anos, é mais uma vítima da demora do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em liberar benefícios. Após fazer o pedido em uma agência do órgão em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, em 6 de agosto, ela aguarda no escuro, por quase três meses a liberação da pensão por morte. Isso porque o protocolo que dá acesso ao sistema Meu INSS, e que deveria mostrar o andamento do pedido, simplesmente não funciona.
— Logo depois do falecimento do meu marido eu arrumei os documentos e fui dar entrada a pensão, porque preciso do dinheiro. Na agência, me disseram que o dinheiro seria liberado em 45 dias, mas já se passaram quase três meses e nada. Na internet, no Meu INSS, não aparece nenhum andamento e eu não sei o que fazer, porque nas agências e no 135 eles não dão informações — conta.
Por lei, o INSS deveria dar uma resposta ao segurado em até 45 dias, mas este prazo não tem sido respeitado. O caso da professora não é isolado e mostra que o INSS, atualmente, vive um caos na análise e liberação de uma série de benefícios. Conforme o EXTRA publicou recentemente, há segurados, no Rio, que aguardam por resposta do requerimento da aposentadoria por mais de quatro meses. O problema é o mesmo: fazem o requerimento no posto, mas meses depois não conseguem nenhuma resposta do órgão e reclamam de falhas no sistema do Meu INSS.
De acordo com o INSS, o tempo médio de concessão para pensão por morte no Estado do Rio, hoje, está em 101 dias, ou seja, mais de três meses. Ainda segundo o órgão, algumas Gerências Executivas do estado do Rio estão com o tempo bem próximo ao que determina a lei, 45 dias, caso da Gerência Executiva Duque de Caxias, com uma média de 52 dias e da Gerência de Volta Redonda, com 59 dias para concessão.
“As demais Gerências estão trabalhando para redução do tempo e a melhora do atendimento”, afirmou o INSS em nota.
Sobre o caso sa segurada citado na reportagem, o INSS limitou-se a dizer que “o benefício desta segurada encontra-se em análise”.
Projeto não saiu do papel
Ainda no primeiro semestre deste ano, o INSS chegou a anunciar que a liberação da pensão por morte seria feita de forma automática, em parceria inédita com cartórios de registro civil. A medida, porém, esbarrou em questões financeiras e não saiu do papel.
Têm direito à pensão por morte os dependentes do falecido que tenha, na data da morte, a qualidade de segurado da Previdência Social, ou seja, o trabalhador que contribui para o regime previdenciário e, por isso, têm direito a benefícios ou serviços de natureza previdenciária. Os dependentes podem ser o cônjuge, o filho não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos, pais ou irmãos menores de 21 anos.
Centrais de análise
Na última semana o INSS, na tentativa de diminuir o caos e o represamento de pedidos feitos ao órgão, criou 104 centrais de análise em todo o país, o que corresponde ao total de gerências. No Estado do Rio, serão sete unidades do gênero, sendo duas delas na capital, para analisar os pedidos feitos pelos segurados e os documentos digitalizados.
A ideia é a de que as centrais funcionem da seguinte forma: um grupo de servidores trabalhará de forma remota e exclusiva para a análise e a concessão de benefícios, já que terão acesso ao sistema com todos os dados e a documentação escaneada dos segurados. Caso tenha necessidade de realocação de algum funcionário, o mesmo não precisará sair da agência em que atua, já que o trabalho do grupo será feito de forma virtual.
A central de análise é uma nova aposta do órgão para tentar diminuir a espera do segurado pela resposta de liberação do benefício.
INSS Digital
Em abril deste ano, conforme publicado pelo EXTRA, o INSS implementou nas 105 agências do Estado do Rio o sistema que deveria agilizar a análise e a concessão de benefícios.
Com o projeto, os postos do órgão passaram a receber os segurados apenas para checar a documentação, que é digitalizada e devolvida. Até agora, as cópias digitais eram encaminhadas a um polo de concessão, em Belo Horizonte, Minas Gerais, que analisava os requerimentos. Agora, isso será feito pelas centrais de análise.
Depois de fazer o pedido, o beneficiário acompanha a tramitação do processo pela internet, por meio de um número de protocolo.
Na ocasião do lançamento do INSS Digital, o instituto informou que a ideia era reduzir, até julho, o tempo de resposta ao segurado, o que não aconteceu, conforme relatos de segurados. Além disso, beneficiários do INSS no Rio afirmam que não adianta ir às agências, pois os servidores se recusam a passar informações.
De acordo com o INSS, o tempo médio de concessão no Rio, em setembro, variava dependendo da região. Na Gerência Executiva Centro (Rio), o tempo de espera por uma resposta era de 54 dias; na Gerência Executiva Norte (Rio), de 68 dias; em Duque de Caxias, de 55 dias; e em Niterói, de 57 dias. Na Região Metropolitana do Rio como um todo, a demora era de 58 dias.
MIX VALE

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.