‘Mapa’ registra mais de 100 denúncias de agressões e ameaças por motivação política


ELEIÇÕES 2018

‘Mapa’ registra mais de 100 denúncias de agressões e ameaças por motivação política

BEM PARANÁ
‘Mapa’ registra mais de 100 denúncias de agressões e ameaças por motivação política
Rapaz agredido por usar boné do MST (Foto: Divulgação)

No Paraná já são 10 ocorrências em menos de um mês; homossexuais e mulheres são as principais vítimas16/10/2018
Rodolfo Luis Kowalski

Os casos de violência relacionada às eleições se multiplicam por todo o país. Segundo levantamento feito pelo Bem Paraná com base nas denúncias recebidas pelo Mapa da Violência Eleitoral e em notícias divulgadas nas últimas semanas pela imprensa, já são 104 casos de agressões de todo o tipo (verbal, física e sexual) no Brasil, sendo que 10 dessas ocorrências foram registradas no Paraná.

A grande maioria dos casos (84,6% ou 88 casos) são de eleitores de Jair Bolsonaro ou então de antipetistas agredindo eleitores de esquerda e, principalmente, homossexuais. Além disso, há seis registros de agressões contra eleitores do candidato do PSL (5,8%). Em outras 10 ocorrências o posicionamento ideológico e eleitoral dos agressores não fica claro, mas sete desses casos foram perpetrados contra homossexuais.

Os números consideram as ocorrências registradas desde o dia 1º de outubro, semana que antecedeu o primeiro turno do pleito e também a data em que entrou no ar o Mapa da Violência Eleitoral. Ou seja, considerando apenas os casos em que as vítimas resolveram denunciar as agressões, teríamos uma média de aproximadamente sete registros por dia no país.

Com relação ao sexo das vítimas, 58,7% (ou 61 das vítimas) são mulheres, 40,4% (42) são homens e houve ainda um relato, no Paraná, de uma mulher trans. Quando analisada a orientação sexual, o público LGBT aparece como principal alvo das agressões (56,7%, sendo 17 ocorrências contra bissexuais, 27 contra gays e 15 contra lésbicas). Os héteros somam 43,3% das vítimas (45 casos de violência, sendo 31 deles contra mulheres).

“Ele não” - Todas as 10 denúncias e ocorrências registradas no Paraná são de eleitores de Bolsonaro agredindo homossexuais, eleitores do PT ou então pessoas com adesivos ou camisas com a hashtag #EleNão, campanha nacional criada por mulheres que se opõe à candidatura de extrema-direita – que lidera com folga nas pesquisas eleitorais, com 59% dos votos válidos. No 1º turno, o candidato do PSL somou 56,9% dos votos no estado – em Curitiba, chegou a 62%.
Casos incluem violência dentro das famílias
Não é só no grupo da família no WhatsApp que as coisas têm “esquentado” por conta do acirramento da disputa eleitoral e da crescente polarização entre o eleitorado. E a prova disso é que alguns dos registros de violência envolvem justamente familiares, com a violência ou a aridez dos debates sendo transferida do mundo virtual para o mundo real.

Num dos relatos, apresentado por uma carioca bissexual de 21 anos, consta que numa conversa de família um tio afirmou preferir ver sua sobrinha morta a ser como ela. Em seguida, teria emendado ainda que “neste governo (Bolsonaro) ele faria o certo, que deveríamos acabar com as más influências para a família brasileira”.

O relato mais chocante, contudo, foi o de uma paraense de 26 anos. Ela conta que a irmã, de 17, votou pela primeira vez. Foi ao local de votação acompanhada da avó e da mãe, mas como votou mais rápido que as parentes, voltou antes para casa. Chegando na residência, o pai questionou em quem ela votou. Ao ouvir a resposta (“Ciro”), o patriarca teria segurado a cabeça da adolescente, puxando-a pelo cabelo, e batido três vezes a cabeça da menina contra a parede. “Ele é apoiador do Bolsonaro, não aceita opiniões contrárias a dele”, relata a irmã mais velha.

Bolsonaro - Entre os casos de violência contra eleitores do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, chama a atenção que a maior parte das vítimas (quatro de seis ocorrências) são gays ou bissexuais, que foram agredidos (verbal e/ou fisicamente) por vestirem camisas de apoio a Bolsonaro (três casos) ou por estarem com um adesivo de "PT Não" (um caso). 
Os outros dois relatos incluem um homem que foi agredido por pessoas vestidas de vermelho, que rasgaram uma camisa amarela em que estava escrito “Deus acima de tudo”, e um dono de bar que, ao declarar o voto em Bolsonaro para um cliente, foi agredido verbalmente por outro homem, que teria dito que “pessoas brancas e de olhos azuis mereciam morrer, pois são os culpados pelo Lula estar preso e o Brasil, nessas condições”.
INTOLERÂNCIA
Os casos mais marcantes de violência política registrados no Paraná


--> O cabeleireiro José Carlos de Oliveira Mota foi morto e encontrado amarrado nos pés e mãos, envolto num cobertor dentro do apartamento em que morava, no Centro de Curitiba. Ele foi golpeado na cabeça e sofreu traumatismo craniano. O agressor, em pelo menos duas ocasiões, disse “Viva Bolsonaro” (ao porteiro do prédio em que ocorreu o crime e no WhatsApp, ao utilizar o celular da vítima, passando-se por ela).

--> Próximo à reitoria da UFPR, cerca de seis homens agrediram o estudante Khaliu Turt, que estava em frente à Casa do Estudante Universitário (CEU) e vestia um boné do MST e camiseta vermelha. Ele foi espancado por um grupo de torcedores do Coritiba, que gritavam “Aqui é Bolsonaro” e “Bolsonaro 2018”.

--> A professora Vera Lúcia Pedroso dirigia durante uma carreata em Maringá, em apoio a Fernando Haddad, quando um motoqueiro tentou tirar à força uma bandeira presa ao veículo. O vidro acabou quebrando e cortou a mão de Vera, que precisou fazer quatro pontos no indicador da mão direita e um no mindinho.

--> O jornalista Guilherme Daldin comemorava a eleição de um político do PDT em frente ao Bar do Torto. Ele vestia uma camisa com o rosto de Lula quando um Sandero branco passou por cima de seu pé. O agressor vestia uma camisa do Brasil e teria ameaçado os amigos de Daldin, que tentaram seguir o veículo do suspeito.

--> João Castelo Branco denunciou ter sido fechado na estrada por um caminhão, que colou em sua traseira enquanto buzinava e prensou o seu veículo contra o caminhão que seguia na frente. Segundo o motorista, o ato violento do caminhoneiro teria sido motivado por um adesivo de um candidato do PT colado em seu veículo.

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