OEA: 1º turno transcorreu com 'profissionalismo', mas houve 'polarização e agressividade'



OEA: 1º turno transcorreu com 'profissionalismo', mas houve 'polarização e agressividade'

Laura Chincilla (centro), chefe da missão de observação eleitoral da OEA, durante entrevista em Brasília sobre o primeiro turno — Foto: Rosanne D'Agostino
Laura Chincilla (centro), chefe da missão de observação eleitoral da OEA, durante entrevista em Brasília sobre o primeiro turno — Foto: Rosanne D'Agostino

Chefe da missão, Laura Chincilla defendeu que candidatos foquem em propostas no segundo turno. Ela destacou esforço do TSE para combater disseminação de conteúdo falso na web.
Por Rosanne D'Agostino, G1 — Brasília
08/10/2018

A chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Laura Chinchilla, avaliou nesta segunda-feira (8) que o primeiro turno da eleição transcorreu com "profissionalismo e perícia técnica", mas houve "polarização e agressividade".


Neste domingo (7), foram eleitos deputados estaduais, federais, distritais, senadores e 13 governadores. O segundo turno está marcado para o próximo dia 28 e definirá o próximo presidente da República e mais 14 governadores.


Esta é a primeira vez que uma delegação da OEA acompanha a eleição no Brasil – a visita foi feita a convite do governo.


Ao todo, cerca de 40 observadores estão em 12 Estados e no Distrito Federal, visitando dezenas de locais de votação.


'Agressividade'

Segundo um relatório preliminar da OEA, houve preocupação com a "polarização e agressividade" da campanha. É mencionado, por exemplo, o atentado a Jair Bolsonaro (PSL) em setembro, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).


A OEA também destacou ameaças físicas e digitais contra mulheres e jornalistas durante o período eleitoral. "A missão condena veementemente esse ataque."


Para a organização, os candidatos que passaram para o segundo turno precisam fazer uma campanha "menos tensa" e "mais centrada na discussão de ideias e propostas do que nos ataques pessoais", contribuindo, assim, para "reduzir a polarização social".



Propostas e conteúdo falso


Sobre o que foi apresentado pelos candidatos, a missão considerou que houve expressões adotadas com tom discriminatório e excludente. Por isso, defendeu que no segundo turno os candidatos foquem em propostas.


Em outro trecho do relatório, a OEA destacou o esforço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em combater a disseminação de conteúdo falso na web, chamado de "propaganda online de desinformação e notícias falsas".


Neste domingo, por exemplo, Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo no Facebook sobre o resultado na qual mencionou um vídeo em que o eleitor diz apertar a tecla 1 a urna, automaticamente, acrescenta o 3, formando o 13, número de Fernando Haddad. Esse vídeo é uma montagem e é #Fake.


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, já declarou que o Ministério Público "não hesitará" em combater a disseminação desse tipo de vídeo.


Urna eletrônica


A OEA informou ter visitado 390 seções em 130 locais de votação em 12 estados e no Distrito Federal e não observou problemas com a urna eletrônica.


Lamentou, porém, que alguns partidos não fizeram uso do espaço para "fiscalizar as diferentes etapas do processo".


A missão diz também que observou problemas com a biometria devido à falha na leitura das digitais dos eleitores, mas que foram resolvidos nas seções.


"Não encontramos nenhum elemento que possa comprometer o processo eleitoral", afirmou. "Ninguém nos denunciou nada nesse sentido [de que pudesse afetar a legitimidade da eleição]", acrescentou.


Problemas não afetam resultado


Laura Chinchilla afirmou também que que nenhum dos problemas vistos pela OEA neste domingo podem afetar o resultado eleitoral.


Segundo ela, a disseminação de conteúdo falso não é um problema exclusivo do Brasil, mas afeta a vida social atualmente.

"É um desafio enorme, mas, ao menos no caso do Brasil, medidas estão sendo tomadas para combater as notícias falsas. [...] O Brasil não está cruzando os braços. Os brasileiros estão buscando alternativas que permitam neutralizar o efeito das fake news. Em uma campanha eleitoral, muito começa pelo discurso político, por isso, temos sugerido que ele se assente sobre a informação verdadeira, objetividade e respeito."

G1

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