Homens temem mais impotência sexual do que câncer, aponta pesquisa



Homens temem mais impotência sexual do que câncer, aponta pesquisa

CORREIO BRAZILIENSE












O urologista do Hospital Brasília também explica: "É cultural, os homens sentem sua virilidade afetada com problemas de saúde relacionados ao pênis", diz Eurico Aparecido(foto: Alan Rios/Esp. CB/D.A Press)

"É um medo existencial, ancestral, em que esse órgão representa o seu poder", comentou o especialista do Hospital Santa Luzia


No mês de novembro, com a campanha do novembro azul, os homens são alertados sobre os perigos do câncer. Essa é uma das doenças mais temidas pela população, pois pensar nela é ter em mente cirurgias, tratamentos caros, quimioterapia e um sofrimento desgastante. Porém, existe algo que preocupa ainda mais o sexo masculino no Brasil: a impotência sexual. 

Sim, a disfunção foi apontada como a segunda doença mais temível dos homens do país, ganhando do câncer e perdendo só para as doenças cardiovasculares e o infarto. Foi isso que indicou uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) em parceria com a farmacêutica Bayer. "É um medo existencial, ancestral, em que esse órgão representa o seu poder, e a disfunção erétil demonstra o medo que todo homem tem da perda desse poder", comentou Diogo Mendes, urologista do Hospital Santa Luzia.

Segundo a análise, o medo da impotência é maior do que o medo de doenças, como câncer de próstata, diabetes e câncer de pulmão. Mesmo com o assunto sendo considerado um tabu por muitos, cerca de 10 milhões de brasileiros sofrem da disfunção erétil, sendo uma condição que atinge, em algum grau, cerca de 50% dos brasileiros acima dos 40 anos. 

José*, 53 anos, é um dos homens que faz parte desse dado. Ele começou a observar os efeitos da disfunção aos 48: "Quando vi que estava sendo mais constante eu 'brochar'  usando o linguajar popular  parecia que era o fim do mundo. Fiquei muito abalado, desanimado e pensando muito na vida, achando que estava velho demais e nunca mais ia ter as relações sexuais que eu tinha", contou.
 
Mas o servidor público ouviu os conselhos da mulher e procurou atendimento médico. Os resultados foram imediatos: assim que saiu da clínica de urologia, ele disse que se viu como outra pessoa. "Claro que são procedimentos que podem levar um tempo para funcionar, mas só de ouvir o doutor me acalmando, dizendo que isso era normal e que dava para tratar, eu fiquei bem mais confiante."




















Francisco dá o exemplo: "Não tenho medo de ir ao médico, de fazer exame de próstata nem nada disso, e faço todo ano"
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Medo desnecessário

De acordo com o especialista do Hospital Santa Luzia, Diogo Mendes, esse temor não precisa ser tão grande. "Existem vários tratamentos: consulta e exames de imagem e bioquímicos, a psicoterapia para os casos emocionais, a medicação oral para ereção, a medicação injetável no pênis e até mesmo uma prótese peniana para os casos em que não respondem a tratamento algum."

A disfunção pode acontecer em qualquer fase da vida do homem, porque, além de ela ser causada pelo envelhecimento natural, pode ser resultado de problemas emocionais, obesidade, excesso de álcool e outras drogas. O melhor a ser feito, tanto para quem sofre para quem não quer sofrer algum problema na saúde sexual é manter consultas regulares com o urologista: "Pelo menos uma vez ao ano, no mês do seu aniversário, para que nunca se esqueça desse compromisso consigo mesmo", afirma Diogo.

Francisco Ferreira, 61, segue esse conselho. O taxista marca consultas regulares e diz não ter medo de ser afetado por alguma doença ou realizar exames, nem o tão temido 'toque'. "É muito importante estar ir às clínicas para evitar algum problema assim que ele começar. Eu não tenho medo de ir ao médico, de fazer exame de próstata nem nada disso. Faço todo ano", conta.

Segundo Eurico Aparecido Lopes, urologista do Hospital Brasília, Francisco é exceção. O especialista diz que os homens ainda têm um distanciamento muito grande dos médicos, o que prejudica a qualidade de vida em diferentes aspectos. "Até quando o homem vai a uma consulta, na maioria das vezes, é porque a mulher ou a companheira marca para ele. Essa distância do homem com a saúde é muito prejudicial e provoca efeitos claros, como a expectativa de vida feminina ser sete anos maior do que a masculina."

Dados do DF

Os brasilienses ganharam destaque no levantamento se mostrando os que mais convertem preocupação em atendimento especializado:
  • Enquanto 51% dos brasileiros consulta regularmente o urologista para opiniões médicas, 73% dos moradores da capital fazem o mesmo. Isso mostra uma tendência nacional em tratar de doenças como a disfunção erétil com informações obtidas na internet ou por meio da automedicação recomendada por amigos ou por farmácias.
Ainda sobre saúde e sexualidade, outro dado apontado foi surpreendente: 
  • Mais da metade dos homens do Brasil assumiu ter traído a companheira. Mas quando foram isolados só os resultados do DF, a população masculina da capital foi mais exemplar, com 73% dos entrevistados afirmando nunca ter cometido nenhuma infidelidade.
 
 
*O entrevistado pediu para ter a identidade preservada. 

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