MP de Marília denuncia prefeito e mais três no caso das 7 toneladas de carne da merenda descartadas



MP de Marília denuncia prefeito e mais três no caso das 7 toneladas de carne da merenda descartadas

As sete toneladas de carne estragada foram achadas na cozinha-piloto de Marília e iriam para a merenda escolar — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo
As sete toneladas de carne estragada foram achadas na cozinha-piloto de Marília e iriam para a merenda escolar — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo

Promotoria vê responsabilidade dos envolvidos no desperdício do produto e pede à Justiça ressarcimento e perda dos cargos. Prefeito diz que trato de alimentos não é prerrogativa do cargo. Outros três denunciados dizem que ainda não foram citados.
Por G1 Bauru e Marília
27/11/2018


O Ministério Público (MP) de Marília (SP) denunciou o prefeito Daniel Alonso (PSDB) e mais três pessoas por responsabilidade no caso das sete toneladas de carne estragada da merenda escolar, polêmica que se arrasta na cidade desde janeiro deste ano.

Na ação civil pública oferecida à Justiça, a promotoria pede o ressarcimento aos cofres públicos no valor de R$ 1,1 milhão, além da perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos dos denunciados.

Além do prefeito, o MP cita como responsáveis pelo desperdício das sete toneladas de carne o ex-secretário de Educação do município, Roberto Cavalari, a nutricionista Cláudia Silvana de Campos e a responsável pela cozinha-piloto, Dolores Locatelli.

À TV TEM, o prefeito Daniel Alonso negou a responsabilidade no caso por entender que não é prerrogativa do cargo a responsabilidade operacional no trato dos alimentos. "O prefeito não decide se vai moer a carne, se vai congelar ou descongelar. Isso é de responsabilidade de outros servidores, pois existe uma equipe na cozinha-piloto para cuidar disso", disse.

Procurados pela reportagem, os outros denunciados afirmaram que ainda não foram notificados e que só irão se manifestar depois disso. Em nota, a prefeitura disse ainda que já se manifestou durante o processo e que instaurou sindicância que apontou os responsáveis.

Na ação, o MP diz que os denunciados agiram com intenção de aumentar a quantidade de carne e, para isso, decidiram descongelar o montante de carne para moagem e posterior congelamento, processo que causou a contaminação do produto.

Além disso, a ação diz que a câmara fria da cozinha-piloto funcionava precariamente, com temperatura aquém do adequado, com superlotação de carne e com constantes quedas de energia. Para o MP, Cavalari atuou com negligência e com o conhecimento do prefeito.

Merenda no lixo


O caso da carne estragada teve início em janeiro deste ano depois que a prefeitura anunciou ter encontrado sete toneladas do produto com cheiro estranho na cozinha-piloto da cidade, local que armazena produtos para a merenda escolar.


A investigação, que começou com a abertura de sindicância pela prefeitura e depois com a aprovação pela Câmara de Vereadores de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), durou quase sete meses.



Na ação civil pública, MP apontou problemas no sistema de refrigeração da cozinha-piloto — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo


Em junho, Daniel Alonso prestou depoimento à CPI e rebateu a acusação de Cavalari de que a decisão de descongelar, moer e recongelar a carne foi tomada em uma reunião com o prefeito e secretários municipais. À época, Cavalari afirmou que o problema na cozinha-piloto aconteceu uma semana depois de ele deixar a pasta.

No fim de agosto, os vereadores aprovaram relatório final da CPI indicando a existência de atos de improbidade administrativa por parte do prefeito e do então secretário de Educação.

O relatório final sugeriu que os envolvidos descumpriram o que estabelece o Regimento Técnico de Boas Práticas para os Serviços de Alimentação. De acordo com a investigação, houve irregularidades no manuseio da carne.

G1

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