Grupo que chefiava tráfico e negociava com o PCC é preso na Capital

OPERAÇÃO PROGRESSO

Grupo que chefiava tráfico e negociava com o PCC é preso na Capital



CORREIO DO ESTADO



Suspeitos levavam vida de luxo e levantou suspeitas da polícia


Thiago Paixão de Almeida, de 31 anos, sua esposa Marília Freitas Teixeira, 34, e outras 11 pessoas foram presas pela equipe da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), na quarta-feira (19), durante a Operação Progresso em Campo Grande. Eles são suspeitos de comandar o tráfico e organização criminosa na região do bairro Tijuca e fazer negócios com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O casal foi preso em casa, no bairro Carioca, em cumprimento a mandado de prisão, expedido após investigação policial apontar que eles chefiavam uma quadrilha.

De acordo com os delegados Gustavo Ferrari, Reginaldo Salomão e Pablo Gabriele, responsáveis pela investigação, as suspeitas começaram porque o patrimônio financeiro declarado por Thiago não condizia com sua movimentação financeira.

A movimentação mensal so suspeito era de R$ 700 mil e o capital financeiro estimado entre R$ 2 milhões a R$ 5 milhões. “Mas a declaração de imposto é menor que a minha. Isso levou a equipe a desconfiar do grupo”, disseram os delegados. Investigação apontou que Thiago usava uma construtora como fachada para o esquema de tráfico.

Ainda segundo a polícia, Thiago tem dois imóveis de luxo avaliados cada um em aproximadamente R$ 1 milhão, em Florianopólis (SC) e Terenos.

O suspeito ainda demarcava seu local de venda de drogas, através da cor da embalagem da droga comercializada por seus funcionários. “Ele é o cara do Tijuca, todo o tráfico realizado por ele é lá, se você buscar ver outras apreensões lá, sempre vai notar que será essa paradinha aqui”, pontuou o delegado.

No dia da prisão, também foram apreendidas na residência uma pistola calibre 9mm de uso restrito, 17 munições e US$ 300 em espécie. Foram encontrados ainda 1,2 quilo de maconha e 800 comprimidos de ecstasy .

Ainda conforme a polícia, ao ser preso pela equipe da Denar, Thiago teria desafiado a autoridade policial afirmando que compraria sua liberdade por suborno. “Ele acreditava na hora, que estava sendo preso apenas pelo flagrante da pistola. Ele até falou assim, 'qualquer duzentinho o desembargador me põe na rua'”, contou o delegado Gustavo Ferrari.

Os policiais ainda acreditam que os suspeitos tinham relação e faziam negócios com a organização criminosa do Primeiro Comando Capital (PCC). “Eles compravam e vendiam drogas para o PCC, com eles é certeza, mas outras facções não podemos afirmar”, disse os investigadores.

ESQUEMA
Dos 18 mandados de prisão, 13 foram cumpridos durante a operação e outros cinco continuam em aberto, com os suspeitos considerados foragidos. Quanto aos mandados de busca e apreensão, foram cumpridos 23, que resultaram em sete veículos, cerca três quilos de cocaína e de 2,554 quilos de pasta base de cocaína. Há ainda nove mandados a serem cumpridos, correspondente a apreensão de veículos.

Durante a realização da primeira fase da Operação Progresso, deflagrada nos dias 17 e 18 de outubro, um dos integrantes que seria o ‘gerente da empresa’, identificado como Henrique Dias Rodrigues, de 29 anos, conhecido por “Rato” acabou preso, dando a oportunidade para outro integrante do grupo ganhar visibilidade. “Com a queda do Rato, ascendeu o Gabriel e foi o ponto chave para notarmos que ele estaria se preparando para uma viagem”, disseram os policiais.

Gabriel contratou apenas adolescentes para trabalhar com a venda de drogas. “Ele acreditava que se apreendidos eles seriam liberados, isso facilitaria manter um número grande de funcionários”, explicaram os investigadores.

Entre os presos, estão também Francisco Cavalcante de Almeida, de 65 anos, pai de Thiago, que de acordo com os investigadores, era o responsável por monitorar a distribuição e venda sem levantar suspeitas. Foram presas também Jaqueline Paixão de Almeida, de 30 anos, e Ana Silvia Cardoso Flores, de 25 anos, apontadas pela polícia como responsáveis por preparar e embalar a droga para venda.

Dois menores que também foram apreendidos na operação acabaram liberados em audiência de custódia, isso porqu,e segundo delegado, foram apreendidos com pequena quantidade de drogas e o juiz acreditou não haver ligação desses com a quadrilha.

Foram apreendidos documentos, notebooks e celulares. As armas de acordo com a investigação eram guardadas na casa de Maicon Cezar dos Santos Denaga, de 28 anos, no Jardim Aeroporto.

Os suspeitos responderão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção de menores e sonegação. A pena para os crimes varia de 5 a 47 anos de prisão.

Organograma da organização criminosa, segundo a Denar

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