"O Susp tem que ir adiante, pois reúne todos no combate ao crime organizado", diz ministro da Segurança Pública

"O Susp tem que ir adiante, pois reúne todos no combate ao crime organizado", diz ministro da Segurança Pública

Ao "Gaúcha Atualidade", Raul Jungmann disse que Sistema Único de Segurança Pública é um dos principais legados da pasta
31/12/2018 GAÚCHAZH
Felipe Carneiro / Diário Catarinense

Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, na manhã desta segunda-feira (31), o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, fez uma avaliação do trabalho da pasta, criada há nove meses, e também dos resultados da intervenção federal no Rio de Janeiro.Como principal legado e que não pode retroceder no novo governo, Jungmann destacou o Sistema Único de Segurança Pública (Susp):
– O Susp tem que ir adiante, pois reúne todos no combate ao crime organizado.
O sistema, instituído em junho, prevê a integração de informações de inteligência e sobre criminalidade e padroniza, no país, a formatação de dados, como registros de ocorrência. Também determina que as forças de segurança pública estaduais, polícias civil e militar, passem a atuar de forma conjunta em operações com órgãos federais.
O ministro também comemorou resultados positivos da atuação federal no Rio, como a redução do roubo de cargas, do furto e, principalmente, de mortes violentas.
– O Rio é como se estivesse com febre de 41°C. Trazer para 37,5°C, 38°C, é uma redução, mas não houve tempo para uma reversão do quadro nesse espaço de nove, 10 meses (tempo de funcionamento do ministério). Mas uma coisa é certa: a intervenção está entregando a segurança do Rio melhor do que recebeu. Nossa expectativa é de que o planejamento seja seguido, que o novo governo prossiga.
Ainda sobre o Susp, Jungmann ressaltou a importância de o Brasil passar a contar com estatísticas na área: 
–  O Brasil nunca teve estatísticas sobre segurança pública. Por conta do federalismo acéfalo (decorrente de a União nunca antes ter atuado na segurança, deixando para cada Estado), se o Estado A não quer mandar os dados, não manda, se o Estado B não concorda com o conceito da ocorrência, não faz. E o Brasil do século 21 não produz estatística de segurança. Como fazer política pública sem dados e informações de segurança? Isso o Susp superou. Todos por lei têm que dar informação, padronizar.
Sobre a criação do Ministério da Segurança Pública, inédito, e sua não manutenção pelo novo governo, o ministro disse que Sergio Moro, que comandará o Ministério da Justiça, tem "competência" para levar legados adiante.
– Vou ser sucedido por um profissional extremamente competente, que conhece segurança e o combate à corrupção. Minha expectativa é de que leve o legado adiante, tem competência e capacidade para fazê-lo – disse Jungmann. 
Além de avanços na área prisional – como recursos para propiciar a digitalização de todos processos de execução penal e a biometria de 726 mil presos –, o ministro falou da redução de mortes no país. Segundo ele, dados do monitor de violência da Universidade de São Paulo (USP) mostram redução inédita de 12,4% de homicídios no Brasil:
– São mais de 5,5 mil vidas poupadas em um enorme esforço dos Estados, mas também por uma forma de coordenar, de cooperar, de realizar operações.
Sobre trabalhos integrados, Jungmann citou a parceria com o chefe da Polícia Civil gaúcha, o delegado Emerson Wendt.
– Tive no Rio Grande do Sul um grande parceiro, Emerson Wendt. Com todas as polícias integradas e com operação de inteligência, fizemos cinco operações nacionais de pedofilia, de homicídios, de feminicídios. Conseguimos avançar na redução de homicídios. É legado positivo.
Questionado sobre a proposta do presidente eleito Jair Bolsonaro de mudar regras para a posse de armas, o ministro fez um alerta:
– Arma dentro de casa traz para dentro da família a possibilidade de ocorrerem tragédias. Por isso, tem que ser algo muito criteriosamente autorizado, desde que se tenha necessidade. Nesses casos, a lei já prevê. Considero que arma é algo que cabe ao Estado controlar porque há relação entre quantidade de armas nas mãos das pessoas e possibilidade de ocorrerem mortes.
Jungmann citou dado do economista e pesquisador Daniel Cerqueira, de que "para 1% de armas a mais na mão da sociedade, pode ter 2% a mais de homicídios".
Sobre o que fará ao fim de sua gestão, o ministro disse que está obrigado a uma quarentena de seis meses.
–  No Ministério da Defesa e no da Segurança, se lida com muitas informações sigilosas, de Estado. Por isso, a comissão de ética da presidência me reserva quarentena, sem exercer outras funções.
Ouça a entrevista de  Raul Jungmann  ao Programa Gaúcha Atualidade: 

 GAÚCHAZH

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