Brasil condena confrontos na fronteira da Venezuela e 'caráter criminoso do regime Maduro'



Brasil condena confrontos na fronteira da Venezuela e 'caráter criminoso do regime Maduro'
Caminhão que transportava ajuda humanitária para a Venezuela foi incendiado em Cúcuta — Foto: Marco Bello/Reuters
Caminhão que transportava ajuda humanitária para a Venezuela foi incendiado em Cúcuta — Foto: Marco Bello/Reuters


Itamaraty afirma em nota que 'atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro' são um 'brutal atentado aos direitos humanos': 'nenhuma nação pode calar-se'.
Por G1
24/02/2019


O governo brasileiro condenou neste domingo (24) "os atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro" ocorridos no sábado, nas fronteiras com o Brasil e com a Colômbia, chamou o governo de Maduro de "criminoso" e apelou à comunidade internacional para "somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela".

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (esq.) e o presidente autoproclamado Juan Guaidó — Foto: Yuri Cortez/AFP

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (esq.) e o presidente autoproclamado Juan Guaidó — Foto: Yuri Cortez/AFP

"O uso da força contra o povo venezuelano, que anseia por receber a ajuda humanitária internacional, caracteriza, de forma definitiva, o caráter criminoso do regime Maduro", afirma nota divulgada pelo Itamaraty na madrugada deste domingo.

Manifestantes tentam recuperar os mantimentos após incêndio em Cúcuta — Foto: Marco Bello/Reuters
Manifestantes tentam recuperar os mantimentos após incêndio em Cúcuta — Foto: Marco Bello/Reuters

O governo brasileiro diz que os ataques são "um brutal atentado aos direitos humanos" e que "nenhuma nação pode calar-se". "O Brasil apela à comunidade internacional, sobretudo aos países que ainda não reconheceram o presidente encarregado Juan Guaidó, a somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela", afirma o governo brasileiro.


A declaração ocorre após conflitos impedirem a entrada de ajuda humanitária na Venezuela no chamado "Dia D", convocado pelo autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó para receber doações de outros países.


Manifestantes empurram um ônibus que foi incendiado durante confrontos com a Guarda Nacional Bolivariana em Ureña — Foto: Rodrigo Abd/AP
Manifestantes empurram um ônibus que foi incendiado durante confrontos com a Guarda Nacional Bolivariana em Ureña — Foto: Rodrigo Abd/AP

O dia foi marcado pela morte de três pessoas em Santa Elena, cidade venezuelana a 15 km da fronteira com o Brasil, o ataque a uma base venezuelana próxima a Pacaraima e 285 feridos e 37 hospitalizados perto da fronteira com a Colômbia. Mais de 60 militares venezuelanos desertaram e pediram refúgio, segundo o governo colombiano.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, discursou em Caracas e anunciou o rompimento das relações com a Colômbia. Maduro também afirmou que não é mendigo e que está disposto a comprar toda comida que o Brasil quiser vender.

Manifestantes na Venezuela protestam contra forças de segurança em Ureña, na fronteira com a Colômbia, neste sábado (23). — Foto: REUTERS/Andres Martinez Casares
Manifestantes na Venezuela protestam contra forças de segurança em Ureña, na fronteira com a Colômbia, neste sábado (23). — Foto: REUTERS/Andres Martinez Casares

Após os confrontos, Guaidó mais uma vez pediu a militares venezuelanos que deixem de obedecer a Maduro: "Vocês não devem lealdade a quem queima comida". O autoproclamado presidente interino da Venezuela também disse que o mundo viu "a pior cara da Venezuela" neste sábado e pediu apoio da comunidade internacional "para assegurar a liberdade do nosso país".

Após confrontos com as forças de segurança da Venezuela, manifestantes tentam recuperar a carga do caminhão incendiado — Foto: Marco Bello/Reuters
Após confrontos com as forças de segurança da Venezuela, manifestantes tentam recuperar a carga do caminhão incendiado — Foto: Marco Bello/Reuters

O opositor de Maduro também anunciou que participará na segunda-feira (26) da reunião do Grupo de Lima, em Bogotá, "para discutir possíveis ações diplomáticas" contra Maduro. O grupo reúne 13 países, inclusive o Brasil, que não reconhecem o governo de Maduro.


O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, representarão o país no encontro. Os outros países do Grupo de Lima são: Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru.


Leia a íntegra da nota do Itamaraty:

Atos de violência do regime de Maduro


O Governo do Brasil expressa sua condenação mais veemente aos atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro, no dia 23 de fevereiro, nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia, que causaram várias vítimas fatais e dezenas de feridos. O uso da força contra o povo venezuelano, que anseia por receber a ajuda humanitária internacional, caracteriza, de forma definitiva, o caráter criminoso do regime Maduro. Trata-se de um brutal atentado aos direitos humanos, que nenhum princípio do direito internacional remotamente justifica e diante do qual nenhuma nação pode calar-se.


O Brasil apela à comunidade internacional, sobretudo aos países que ainda não reconheceram o Presidente encarregado Juan Guaidó, a somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela, reconhecendo o governo legítimo de Guaidó e exigindo que cesse a violência das forças do regime contra sua própria população.



Principal alvo dos manifestantes, espaço do lado venezuelano onde guardas se mantinham teve dois veículos completamente incendiados — Foto: Alan Chaves/G1 RR


Manifestantes atacam base do exército venezuelano na fronteira com o Brasil — Foto: Bruno Kelly/Reuters

Manifestantes atacam base do exército venezuelano na fronteira com o Brasil — Foto: Bruno Kelly/Reuters


Resumo dos confrontos sábado (23)


As fronteiras da Venezuela com o Brasil e a Colômbia amanheceram fechadas, conforme prometido por Maduro
Caminhonetes saíram de Boa Vista e foram até a fronteira com a Venezuela com ajuda humanitária, mas voltaram para o lado brasileiro no fim do dia
Venezuelanos protestaram e atacaram uma base do exército venezuelano
3 pessoas morreram e ao menos 15 ficaram feridas em Santa Elena, cidade venezuelana a 15 km da fronteira com o Brasil
Na fronteira com a Colômbia, 2 caminhões com ajuda humanitária foram incendiados
Confrontos na fronteira com a Colômbia deixaram 285 feridos e 37 pessoas hospitalizadas, segundo o governo colombiano
Mais de 60 militares venezuelanos abandonaram os postos e pediram asilo, ainda de acordo com o governo colombiano
Maduro afirmou em discurso que não é mendigo e que está disposto a comprar toda comida que o Brasil quiser vender e rompeu relações diplomáticas com Colômbia
Guaidó voltou a apelar a militares para que eles retirem o apoio a Maduro: "Vocês não devem lealdade a quem queima comida"

G1




Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.