Candidata do PSL gravou ligações com assessor de ministro. Ouça áudios



Candidata do PSL gravou ligações com assessor de ministro. Ouça áudios
Reprodução/Facebook
Conversas contradizem versão de Marcelo Álvaro que afirma não ter tido conhecimento da suposta candidatura laranja na campanha de 2018

A candidata a deputada estadual pelo PSL em Minas Gerais Cleuzenir Barbosa gravou ao menos três ligações com assessores do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, nas quais relatou um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro durante a campanha eleitoral. Os áudios foram obtidos pelo site BuzzFeed News.
As conversas revelam que a versão do atual ministro do Turismo são contraditórias. Desde que o caso veio à tona, Marcelo Álvaro vem afirmando que só ficou sabendo das denúncias da suposta candidatura laranja de Cleuzenir em novembro. Só que dois meses antes, ainda na campanha, um assessor dele foi procurado por ela.
Em uma das ligações gravadas, ocorrida por volta de 20 de setembro, no meio da campanha eleitoral, Cleuzenir falou com o chefe de gabinete do deputado e coordenador da campanha, Aguinaldo Diniz, sobre “fatos graves” que poderiam prejudicar a campanha dele de reeleição para a Câmara dos Deputados.
Na conversa, Cleuzenir disse ao assessor de Marcelo Álvaro que precisava falar com o então deputado federal “para ontem” devido a uma situação urgente que poderia desembocar em casos “mais graves”.
No dia 18 de setembro, a campanha de Cleuzenir tinha recebido R$ 60 mil do PSL e, segundo o depoimento da aposentada ao Ministério Público e à polícia, dois assessores do atual ministro durante a campanha – Haissander de Paula e Roberto Soares – passaram a pressioná-la para entregar R$ 30 mil para a gráfica de propriedade do irmão de Soares. A loja é um dos focos de suspeita de desvio de recursos do fundo partidário pelo PSL de Minas.
Segundo Cleuzenir, atos de uma “equipe do PSL” atuando na região de Governador Valadares (MG) poderiam levar “negatividade” para a campanha do hoje ministro e ela não queria que isso ocorresse sem falar com o político.
Depois da insistência de Cleuzenir para falar com o ministro do Turismo, o assessor respondeu:  “Tá, eu vou falar com ele. Assim que eu encontrar com ele, eu vou passar o seu recado”. No entanto, segundo a aposentada, ele não voltou a ligar.
Ouça o áudio:
Ligação da delegaciaNo dia 29 de novembro, Cleuzenir ligou para o PSL de dentro da delegacia de Polícia Civil, onde ia ser ouvida por uma delegada que apurava um possível crime de extorsão no caso do desvio de dinheiro para a gráfica.
A já ex-candidata disse a uma atendente de nome Michele que precisava falar com uma pessoa chamada Gustavo, Aguinaldo Diniz ou com o próprio deputado Marcelo Álvaro, que já fazia parte do governo de transição e se preparava para assumir o Ministério do Turismo.
“Eu agora vou ser ouvida por uma delegada, aqui na delegacia civil, do caso Haissander e Robertinho. E eu temo que isso vai respingar no sr. Marcelo, ministro”, afirmou.
Após ouvir que algum deles iria retornar a ligação em breve, Cleuzenir disse que estava sem nenhum respaldo jurídico do PSL e insistiu em falar com o futuro ministro. “Quero falar com Marcelo Álvaro porque isso pode respingar nele, porque a delegada aqui de extorsão ela não gostou nada do que o Robertinho e o Haissander fizeram comigo”, pontuou a aposentada.
Em novo telefonema, feito no dia 6 de dezembro, Cleuzenir falou com uma atendente chamada Jane. A mulher afirmou que quem cuidaria do caso da ex-candidata seria Aguinaldo Diniz. Após ouvir a assessora, Cleuzenir disse que tentaria, novamente, ligar para Diniz, e fez um questionamento a Jane: “Eu acho engraçado porque que ele não me liga, né? E sabendo da gravidade dos fatos”.
Nas gravações, é possível perceber que Marcelo Álvaro foi procurado por meio de Aguinaldo Diniz, quase dois meses antes da campanha, logo depois que o PSL transferiu o dinheiro para a candidata a deputada estadual.
Ouça o áudio:
 METRÓPOLES

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