Gravação investigada mostra 43 disparos em três minutos durante ação da PM no Fallet



Gravação investigada mostra 43 disparos em três minutos durante ação da PM no Fallet

EXTRA

Não há divergência entre depoimento de PMs e o que foi periciado pela Polícia Civil, de acordo com delegado

Em três minutos, 43 tiros. Uma gravação de áudio, que já está com o Ministério Público do Rio e foi obtida com exclusividade pelo EXTRA, mostra como foi a ação da PM que terminou com nove mortes dentro de uma casa no Morro do Fallet, Zona Norte do Rio, no último dia 8. Nos primeiros 20 segundos da gravação, é possível ouvir 29 disparos em sequência, mas não há como concluir se partiram de uma ou mais armas. Os demais tiros são isolados, e não é possível ouvir reações a esses disparos.
Segundo o perito aposentado Leví Inimá de Miranda, que ouviu o áudio a pedido do EXTRA, os disparos esparsos reforçam a suspeita de execução.
— Os tiros finais não têm reação, não aconteceram em meio a um confronto, o que indica que são disparos de execução — afirma Miranda.
Casa no Fallet ficou coberta de marcas de bala; Polícia Civil investiga se houve execução por parte de PMs
Casa no Fallet ficou coberta de marcas de bala; Polícia Civil investiga se houve execução por parte de PMs Foto: PILAR OLIVARES / REUTERS
Na gravação, também é possível ouvir, ao fundo, PMs (lotados no Batalhão de Choque) organizando o cerco ao redor da casa. “Vamos pegar a viatura e vamos subir”, diz um dos agentes após os primeiros tiros. “Pra rua de cima”, diz o policial em seguida. Segundo a PM, 11 homens que tentavam fugir da casa pelos fundos foram presos. Moradores da favela contaram ao EXTRA que os policiais invadiram pelo menos três outras casas da vizinhança durante a ação.
O áudio também capta o momento em que os agentes tentam render um dos jovens — não é possível concluir se ele foi preso ou morto. “Desce não, desce não! Joga não, joga não!”, diz uma voz ao fundo. Três tiros são disparados em seguida. Agentes mais próximos do gravador mandam moradores entrarem em suas casas no fim da gravação.
O áudio foi gravado de um local próximo ao imóvel que foi alvo da ação. Os promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) tentam encontrar o responsável pela gravação, que ainda será periciada.
PMs levam mortos para o hospital
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Exame não constata facadas em jovens
Nenhum dos jovens mortos dentro da casa durante a operação da PM no Fallet foi vítima de facadas. A informação foi confirmada ao EXTRA por agentes da Delegacia de Homicídios (DH) que investigam o caso. Todos foram atingidos por disparos de armas de fogo.
A denúncia de que haveria vítimas de facadas foi feita por moradores à Defensoria Pública, na última terça-feira. As famílias dos mortos não nega a relação deles com o tráfico, mas denuncia que os jovens foram executados após se renderem.
Na semana passada, o governador Wilson Witzel se antecipou à investigação da Polícia Civil e afirmou, em um vídeo publicado em suas redes sociais, que a ação da PM foi “legítima”.
Não há divergência entre depoimento de PMs e o que foi periciado pela Polícia Civil, de acordo com delegado Foto: Pilar Olivares / Reuters
‘‘O que aconteceu no Fallet-Fogueteiro foi uma ação legítima da Polícia Militar’’, disse Witzel.
Após a declaração, o delegado Antônio Ricardo, diretor da Divisão de Homicídios, alegou que, até agora, a perícia indica que houve um confronto.
— Não há divergências entre as versões (dos PMs) e o que foi apurado até agora — afirmou Antônio Ricardo.
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