Aposentadoria da Assembleia de SP é 4 vezes maior que a de professor



Aposentadoria da Assembleia de SP é 4 vezes maior que a de professor

    • Fernando Mellis, do R7
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Salário médio de servidores da ativa na Alesp é R$ 8.247

Média paga aos ex-funcionários do Legislativo estadual é de R$ 13,8 mil, enquanto ex-docentes do ensino básico recebem cerca de R$ 3 mil por mês

O Estado mais rico do Brasil, São Paulo, paga aos seus professores aposentados quatro vezes menos do que aos ex-servidores da Assembleia Legislativa.

Levantamento feito pelo R7, com base em valores líquidos médios, detalha as diferenças entre as duas classes do funcionalismo público paulista.

Ela critica a proposta de reforma da Previdência que faria professores trabalharem por mais de 35 anos.
"Muitos vão desistir da carreira. As professoras saem com um grau de adoecimento muito alto, sem contar a vulnerabilidade nas escolas, que é indescritível. Basta ver o que aconteceu em Suzano."

"Não é um problema previdenciário"
O professor José Roberto Savoia, da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), explica que a distorção "não é um problema previdenciário", mas sim de estrutura de cargos e salários, que no Legislativo não segue o mesmo padrão do Executivo.
"Nos tribunais e no Legislativo, muitas vezes, há funções que não são carreiras de Estado, como a de procurador, auditor fiscal... criaram-se carreiras para tudo, motoristas, ascensoristas. A concepção original de transformar tudo em carreira de Estado é que levou a diferenças salariais quando comparamos ao Executivo ou à iniciativa privada."

Savoia acrescenta que a reforma previdenciária afeta da mesma forma o professor e servidor da Assembleia Legislativa, mas pondera que como as remunerações iniciais são diferentes, e as aposentadorias também acabam sendo diferentes.
"A distorção está na entrada e vai aumentando ao longo da vida profissional, por conta das gratificações que algumas carreiras do Executivo, Legislativo e Judiciário conquistam e os professores, por exemplo, não", diz o coordenador dos cursos de gestão de políticas públicas do Insper, André Marques.

Um exemplo disso é o fato de técnicos legislativos terem salário inicial de R$ 6.642,70 na Alesp, ao passo em que professores novatos na rede estadual ganham no máximo R$ 2.585 — ambos com carga horária de 40 horas semanais.

Ele ressalta ainda o fato de que as correções precisam ser feitas nos planos de carreira dos servidores públicos de todas as esferas. 
"Mas aí, obviamente, tem que aprovar uma legislação e antes enfrentar todo o corporativismo", observa.

R7

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