Bolsonaro volta a dizer que não houve ditadura e defende comemorações pelo golpe

Bolsonaro volta a dizer que não houve ditadura e defende comemorações pelo golpe

Paula Almeida, do UOL

Tal como já havia feito diversas vezes antes de se tornar presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) voltou a dizer hoje que não houve ditadura no Brasil. A afirmação, feita em entrevista à Band, ocorre em meio às críticas ao presidente por defender que os quartéis militares promovam eventos para comemorar o golpe militar de 31 de março de 1964.
"Onde você viu uma ditadura entregar o governo de forma pacífica? Então não houve ditadura", afirmou o presidente, que disse que os militares são o "último obstáculo para o socialismo". Ele declarou ainda que apesar de o período militar ter tido "alguns problemas", as celebrações pelos 55 anos da intervenção devem ocorrer.
Na segunda-feira (25), o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio do Rêgo Barros, já havia afirmado que Bolsonaro recomendou "comemorações devidas" no dia 31 de março. A orientação, porém, tem dividido opiniões, inclusive entre apoiadores do presidente.
Hoje de manhã, durante audiência na Câmara dos Deputados, o chanceler Ernesto Araújo afirmou que não considera ter ocorrido um golpe militar em 1964. O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), também disse nunca ter havido um golpe no Brasil.
Já a deputada estadual mais votada do país, Janaína Paschoal (PSL-SP), criticou a postura de Bolsonaro. Segundo ela, o presidente ainda não percebeu que "não dá para governar com a cabeça em 64". Ela disse ainda que, se não houver uma mudança de postura, o Brasil estará "fadado ao fracasso".
O MPF (Ministério Público Federal) recomendou que os militares não façam eventos comemorativos e defendeu punição para quem desrespeitar. Já a juíza federal da 6ª Vara de Brasília, Ivani da Silva Luz, mandou intimar Bolsonaro sobre uma ação popular que pede para que sejam barrados os festejos em torno do aniversário do golpe militar. A magistrada determinou que o presidente e a União se manifestem em até cinco dias sobre a ação.

UOL

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