Caminhoneiros devem esperar revisão da tabela de frete para decidir sobre greve



Caminhoneiros devem esperar revisão da tabela de frete para decidir sobre greve
GAÚCHAZH

Reprodução / Reprodução
Em maio de 2018, paralisação gerou desabastecimento de comida e combustíveis no Rio Grande do Sul

Base de cálculo começa a ser discutida com a população nesta quarta-feira, em Belém (PA)

As audiências públicas sobre a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, conhecida como tabela de frete, começam nesta quarta-feira em Belém (PA). Em Porto Alegre, o encontro está marcado para o dia 16 de maio, das 14h às 18h, no Hotel São Rafael. 
A criação da tabela foi uma das exigências dos caminhoneiros para encerrarem a greve que paralisou o país entre maio e junho do ano passado, gerando prejuízo de R$ 15,9 bilhões à economia, segundo cálculo do então Ministério da Fazenda. A condição foi atendida pelo ex-presidente Michel Temer (MDB) por Medida Provisória convertida em lei. Agora, a categoria defende a revisão dos parâmetros.
Depois da paralisação de 2018, que gerou perda diária de ao menos R$ 300 milhões à indústria do RS, novas mobilizações pelas redes sociais e aplicativos de mensagens pululam nas timelines de tempo em tempo. Os rumores mais recentes de greve surgiram depois que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) declarou, em 1º de maio, que o preço do combustível pode subir devido à crise na Venezuela:
— Temos que nos preparar, dada a política da Petrobras, de não intervencionismo nesta parte. Mas poderemos ter um problema sério dentro do Brasil como efeito colateral do que acontece lá — declarou.
diesel e a gasolina oscilam no Brasil conforme do valor do barril do petróleo no mercado internacional e da cotação do dólar — só neste ano, o petróleo encareceu mais de 30%. Para amenizar o sobe-desce, os caminhoneiros pedem nova mudança na política de preços da Petrobras — em março, a estatal anunciou que não haveria alterações em período inferior a 15 dias. Exigem, também, maior fiscalização da jornada de trabalho e no cumprimento do piso mínimo. Além disso, a crise pela qual atravessa a China, maior importador da soja gaúcha, diminuiu a quantidade de fretes em direção ao porto de Rio Grande, gerando mais insatisfação.

Fernando Gomes / Agencia RBS

Ainda que descontentes, líderes sindicais da categoria ouvidos pela reportagem dizem não haver adesão suficiente para iniciar nova greve. O plano da categoria é esperar, ao menos, a realização da última audiência pública, marcada para 23 de maio, em Brasília. O espaço será aproveitado pelos caminhoneiros para apresentação de metodologias a serem aplicadas no cálculo. Outra data fundamental a ser respeitada é 20 de julho. Conforme a Lei 13.703, de agosto de 2018, a publicação dos pisos e da planilha de cálculo do frete "ocorrerá até os dias 20 de janeiro e 20 de julho de cada ano, e os valores serão válidos para o semestre em que a norma for editada".
— A insatisfação da categoria está muito grande e há motivos para greve, mas o entendimento é de que devemos aguentar este ciclo. Esperar até 20 de julho para, então, reavaliar e decidir o que fazer. Não acredito que paralisações anunciadas antes disso terão apoio da categoria — avalia o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Ijuí, Carlos Alberto Litti Dahmer. 
De acordo com a legislação, a tabela deve trazer os pisos referentes ao quilômetro rodado por eixo carregado, consideradas as distâncias e as especificidades das cargas. Anexa, deve estar a planilha de cálculos utilizada para a obtenção dos valores. Presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do RS (Fecam/RS), André Costa comenta que dentro da categoria há os mais exaltados, que defendem greve imediata. Os líderes, entretanto, pedem paciência.
— Alguns não entenderam que é um processo lento e complexo, que não vai se resolver em meia dúzia de dias. Há reuniões ocorrendo em Brasília sobre o preço do diesel. As audiências públicas sobre a tabela de frete vão começar agora. Então, todo esse acordo está sendo construído devagar — disse.
Nas audiências públicas, a Fecam vai sugerir adequações na metodologia aplicada pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), instituto ligado à Universidade de São Paulo (USP) e que ficou responsável pelas revisões. A Fecam discorda de alguns parâmetros utilizados, como velocidade média, preço do diesel e quilômetros rodados por litro. 
— Todo mundo está chegando a mesma conclusão, que a Esalq-Log fez um trabalho sério e bem fundamentado, mas que pode ser melhorado — finalizou.

Cronograma das cinco audiências

  1. Quarta-feira (8), das 14h às 18h em Belém (PA) -  Hotel Sagres
  2. Sexta-feira (10), das 14h às 18h, em Recife (PE) - Onda Mar Hotel
  3. 14 de maio, das 14h às 18h, em São Paulo (SP) - Hotel Nikkey Palace
  4. 16 de maio, das 14h às 18h, em Porto Alegre - Hotel São Rafael
  5. 23 de maio, das 14h às 18h, em Brasília (DF) - Edifício sede da ANTT

O que é a tabela de frete

A tabela de frete define o custo mínimo do transporte de cargas, valor que o caminhoneiro precisa receber para manter o caminhão funcionando em condições adequadas. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) dividiu as bases em custos fixos e variáveis. Eles formam o valor mínimo a ser pago. 
  • Fixos são aqueles que não variam com a distância percorrida e continuam existindo mesmo com o caminhão parado. Entre eles estão depreciação, salário do motorista e encargos sociais. 
  • Variáveis aumentam quando a distância percorrida também aumenta e ficam praticamente zerados quando o caminhão não está sendo utilizado. Manutenção e combustível são contabilizados nesta categoria. 
Despesas com alimentação, custo dos pedágios e lucro do contratado não são citados na tabela e devem ser negociados à parte.


GAÚCHAZH

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.